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Discussão religiosa domina campanha eleitoral

Dilma e Serra lançam ofensivas na reta final da corrida ao Planalto

As convicções religiosas dos candidatos ganharam peso inusitado na reta final da campanha à Presidência, tomando o lugar da discussão sobre diretrizes econômicas, políticas e sociais para os próximos quatro anos. Diante da pressão de uma significativa fatia do eleitorado, o posicionamento sobre temas como aborto e liberdade religiosa entrou em pauta.

Nesta sexta-feira, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) lançaram ofensivas em busca do cobiçado voto religioso. O empenho se justifica. Só os evangélicos representam cerca de 25% do total de eleitores, ou seja, uma massa de 33 milhões de pessoas.

Carta e cartão – A candidata do PT lançou uma carta aberta para firmar posição sobre o aborto. As contradições no seu discurso quanto a esse tema foram apontadas como um dos fatores que empurraram a disputa ao Planalto para o segundo turno. No texto, chamado “Mensagem de Dilma”, a presidenciável diz ser contra modificações nas leis sobre aborto – ou seja, renega as convicções do tempo em que não era candidata – e defende a liberdade religiosa. A carta foi divulgada nesta sexta-feira por líderes de igrejas.

Em evento em São Paulo, Dilma justificou a divulgação do texto. Disse que a carta era uma manifestação que dava “aos pastores e às lideranças religiosas que me apoiam os instrumentos necessários” para a campanha.

Já o candidato do PSDB, José Serra, distribuiu um santinho em formato de cartão telefônico. O item de divulgação traz de um lado a foto do presidenciável rodeado por crianças e eleitores, com o slogan “Serra é do bem” e a frase “Jesus é a verdade e a justiça”. A frase cristã é assinada pelo próprio Serra.