Veja Digital - Plano para Democracia: R$ 1,00/mês

Dilma tenta domar PMDB e indica nomear ministro sem aval

Presidente se reuniu neste domingo com vice Michel Temer e vai tentar aplacar ala rebelde do PMDB em encontro nesta segunda com mais líderes do partido

Por Da Redação 10 mar 2014, 01h41

A presidente Dilma Rousseff se reuniu neste domingo por duas horas com o vice-presidente Michel Temer e voltou a oferecer o Ministério do Turismo para o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A vaga já é ocupada pelo partido, mas está sob zona de influência da bancada do PMDB na Câmara. Embora a proposta não seja nova, a tendência do partido, agora, é manter a aliança com Dilma e evitar mais conflito. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, no encontro a presidente informou Temer que vai nomear novos ministros mesmo sem o aval peemedebista. Uma nova reunião será realizada nesta segunda-feira no Palácio do Planalto, desta vez com Temer, líderes e dirigentes do partido.

Diante de uma base aliada rebelada, que votará cinco requerimentos de convocação de ministros nos próximos dias, Dilma pediu ao vice-presidente que tente pacificar o PMDB, isolando o líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). O governo quer chegar a um acordo com o PMDB para neutralizar a reunião da bancada da Câmara, prevista para esta terça-feira. Nesse encontro, um terço dos deputados do partido promete aprovar o rompimento da aliança com o governo.

Leia também:

Presidente da Câmara diz que ‘reforma ministerial desastrada’ ampliou a tensão com PMDB

Temer desautorizou Cunha a pregar o fim da parceria com o Planalto. Poucas horas antes de se reunir com Dilma, ele disse que o PMDB quer manter o casamento com ela e não vê chance de divórcio. “Não é A nem B ou C nem sou eu quem vai dizer se o partido vai para um lado ou para o outro. É a convenção nacional que decide o que deve ser feito. Tem dois terços que pensam em manter o casamento e, portanto, a maioria é pela manutenção da aliança, como eu”, afirmou o vice.

Ainda antes do encontro com Dilma, Temer convocou um seleto grupo do PMDB para uma reunião com ele, no Palácio do Jaburu. No encontro ficou decidido que o PMDB não esticaria mais a corda com a presidente nem endossaria as posições de Cunha. A portas fechadas os peemedebistas avaliaram que o bate-boca com o PT só prejudicava o próprio PMDB, que aparecia diante da opinião pública como fisiológico.

“Vou levar para Dilma uma mensagem de concórdia”, avisou Temer, que pretende repetir a dobradinha com Dilma, na campanha da reeleição, ocupando a vaga de vice. “A presidenta quer ter uma aliança muito sólida e quer fazê-la prosperar. É conversando que se entende. Tenho certeza de que vai dar certo.” Mesmo após a troca de acusações e insultos entre dirigentes do PT e do PMDB, Temer disse não acreditar no divórcio. “É uma situação passageira e logo estará superada”, argumentou.

Continua após a publicidade

Foi esse, também, o tom da conversa de Temer com os presidentes do PMDB, Valdir Raupp (RO); do Senado, Renan Calheiros (AL); da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e com o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE), antes da reunião com Dilma.

Dilma não se mostrou disposta a ampliar o espaço do PMDB na Esplanada, de cinco para seis cadeiras, e nem mesmo as ameaças de Cunha surtiram efeito. A ideia de presidente é nomear o senador Vital para o Turismo, na vaga de Gastão Vieira – deputado licenciado do PMDB que deixará o posto para concorrer a novo mandato – e deixar o Ministério da Agricultura sob comando de um apadrinhado de Temer. Até agora, o mais cotado para substituir Antônio Andrade na Agricultura é Neri Geller, hoje secretário de Políticas Agrícolas.

“Tudo o que não precisamos agora é dessa crise entre aliados num ano eleitoral. Se avançarmos um pouco nas alianças regionais, o clima já começa a distensionar”, disse Raupp. Dos 26 Estados mais o Distrito Federal, o PT e o PMDB só têm parcerias garantidas, até agora, nos palanques do Distrito Federal, Pará, Sergipe e Amazonas. A situação é considerada dramática no Rio e na Bahia, onde as duas legendas se tratam como inimigas.

“Toma-lá-dá-cá” – Pesquisas em poder do Palácio do Planalto indicam que Dilma cresce quando reage a pressões políticas e rejeita o “toma-lá-dá-cá”. Foi assim quando ela fez a “faxina” administrativa em meio à queda de sete ministros em 2011, e está sendo assim agora, de acordo com levantamentos de opinião pública feitos pelo marqueteiro João Santana.

Embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha aconselhado sua sucessora a ser mais “política” e conversar com a cúpula do PMDB, ela preferiu chamar apenas Temer para o encontro reservado deste domingo. Após provocar mais divisão entre as alas do PMDB, Dilma quer fortalecer o vice, que deve chancelar todas as indicações do partido para o primeiro escalão.

Leia mais:

O “blocão” de deputados que emparedou o governo na Câmara

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Plano para Democracia

- R$ 1 por mês.

- Acesso ao conteúdo digital completo até o fim das eleições.

- Conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e acesso à edição digital da revista no app.

- Válido até 31/10/2022, sem renovação.

3 meses por R$ 3,00
( Pagamento Único )

Digital Completo



Acesso digital ilimitado aos conteúdos dos sites e apps da Veja e de todas publicações Abril: Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Placar, Superinteressante,
Quatro Rodas, Você SA e Você RH.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)