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Dilma recebe relatório e diz: ‘Verdade não deve ser motivo para acerto de contas’

Em cerimônia, presidente afirmou que país valoriza 'pactos políticos que nos levaram à redemocratização'. Ela chorou ao falar dos mortos e desaparecidos

Por Da Redação 10 dez 2014, 09h20

A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quarta-feira o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que investigou os abusos do regime militar. Ela parabenizou os integrantes do órgão pelo trabalho realizado ao longo de quase dois anos – e voltou a afirmar que as investigações se não tratam de “revanchismo”. Dilma afirmou que, da mesma forma que reverencia os que lutaram pela democracia, o país “reconhece e valoriza os pactos políticos que nos levaram à redemocratização”.

Durante o discurso, a presidente chorou ao se referir aos mortos e desaparecidos na ditadura militar. “Esperamos que este relatório contribua para que fantasmas de um passado doloroso não possam mais se proteger nas sombras do silêncio e da omissão”.

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Sobre o trabalho conduzido pela CNV, Dilma afirmou: “Quem dá voz à história são homens e mulheres livres que não têm medo de escrevê-la”. E prosseguiu: “Reconheço e agradeço, sobretudo, aqueles que, com coragem e enorme generosidade, aceitaram testemunhar e contar suas histórias”.

“A busca da verdade histórica é uma forma de construir a democracia e zelar pela sua preservação”, afirmou a presidente. “Conhecer a história é condição imprescindível para poder construí-la melhor”, continuou.

Assim como no dia em que foi instalada a comissão, Dilma afirmou que os trabalhos não foram movidos pelo “ódio”. “A verdade não significa a busca de revanche. A verdade não precisa ser motivo para ódio ou acerto de contas”, disse. “A verdade produz consciência, aprendizado, conhecimento e respeito”, afirmou. “A verdade significa, acima de tudo, a oportunidade de apaziguar cada indivíduo consigo mesmo e um povo com a sua história”, prosseguiu. “A verdade é uma homenagem a um Brasil que já trilha três décadas de um caminho democrático. E que lutaremos sempre e mais pata que assim persista”, finalizou.

A presidente recebeu os seis integrantes do grupo: José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro, Pedro Dallari e Rosa Cardoso. Após dois anos e sete meses de trabalho, eles vão entregar o resultado das apurações sobre graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988, com foco maior no período da ditadura militar, a partir de 1964. A comissão foi criada em 2011, por meio da Lei 12.528, aprovada no Congresso por meio de um acordo de lideranças. A instalação ocorreu no ano seguinte.

Em 2012, a Presidência da República instalou a comissão durante uma audiência pública, com a presença de todos os ministros do governo e dos três comandantes militares. Também foram convidados e participaram daquela cerimônia os presidentes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, assim como ex-presidentes da República. Lá estavam, lado a lado, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e José Sarney.

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