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Dilma fecha maratona pré-campanha com discurso de candidata

Desde segunda-feira, a presidente participou de nove atos diferentes. A partir deste domingo, a lei eleitoral proíbe que ela participe de eventos do tipo

A legislação eleitoral brasileira proíbe todos os candidatos ocupantes de cargos públicos de participar de cerimônias de entrega de obras ou equipamentos públicos a partir do início da campanha – o que ocorre no próximo domingo, dia 6. É comum, portanto, que políticos em busca de um novo mandato corram contra o relógio para entregar ainda no primeiro semestre o máximo de obras possível. E a última semana antes do início da campanha costuma ser de agenda – positiva – cheia. A lei, contudo, é clara: tais eventos não podem ser transformados em palanque, para que a máquina pública não sirva a candidatos. Nesta sexta-feira, ao encerrar sua maratona de inaugurações pré-campanha, a presidente Dilma Rousseff transformou em evento eleitoral a inauguração do Hospital da Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre. Não faltou sequer o discurso de candidata: “Quem fez continuará fazendo”, afirmou, sendo aplaudida pelas 200 pessoas que estavam na plateia. A frase resume justamente o tom da campanha que será adotada pela presidente.

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Na quarta-feira, Dilma foi a Vila Velha (ES), onde entregou 496 imóveis do Minha Casa, Minha Vida e prometeu mais investimentos. Mais tarde, em Vitória (ES), participou de uma cerimônia de formatura de alunos do Pronatec. No fim do dia, no Palácio do Planalto, assinou contratos de obras do PAC para o ABC Paulista e anunciou mais investimentos para Campos dos Goytacazes (RJ) e Rio Branco (AC). No dia seguinte, a presidente coordenou um anúncio atípico: a entrega simultânea de 5.460 unidades do Minha Casa, Minha Vida em onze cidades brasileiras. De Brasília, ela coordenou a cerimônia, que teve a participação de prefeitos e ministros por videoconferência. O ato durou quase duas horas.

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A inauguração em Porto Alegre foi o último ato público de Dilma antes do início da campanha. Ao final do discurso, como já é de praxe, a retórica rancorosa de Dilma foi utilizada para criticar os que afirmaram que os estádios não ficariam prontos a tempo. Afirmou que o país fez a “Copa das Copas” e disse ter certeza de que os aeroportos a cargo do governo federal “estão irrepreensíveis”, que os estádios a cargo das prefeituras, governos estaduais e iniciativa privada “estão dando um show de bola”. “Derrotamos os pessimistas que disseram que não havia a menor possibilidade de a Copa do Mundo dar certo”, reiterou. “Diziam que seria a Copa do caos, da falta de energia, de tudo o que há de ruim”.

É incomum que um presidente da República viaje para participar de um evento como esse. Mas a presença de Dilma no ato, assim como o mega-anúncio da quinta-feira, mostra que as cerimônias são mais importantes do que o conteúdo delas: com o palanque, Dilma assegura uma exibição positiva nos meios de comunicação. O senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), rivais de Dilma na campanha, não têm o mesmo espaço. A partir deste fim de semana, o desequilíbrio deve ser reduzido.

A maratona de Dilma se dá em um momento delicado para a presidente. As pesquisas de intenção de voto apontam que a possibilidade de segundo turno é cada vez maior. E a candidata à reeleição não tem vivido momentos mais pacíficos com seus aliados. O PTB deixou a aliança para apoiar o tucano Aécio Neves, o PP está dividido e o PMDB vai se coligar com a oposição em estados importantes, como Bahia e Rio de Janeiro.