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Dilma diz que fala de Levy sobre desoneração da folha foi ‘infeliz’

Presidente não gostou do termo que ministro da Fazenda usou para se referir ao modelo em uso até sexta: 'grosseiro'

Por Da Redação - 28 fev 2015, 14h53

A presidente Dilma Rousseff classificou neste sábado como “infeliz” a declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre o modelo de desoneração da folha de pagamento promovido desde 2011 pelo governo federal. Na sexta-feira, ao falar a respeito da recomposição das alíquotas de imposto sobre a folha, Levy afirmou que o modelo vigente até então custava muito para a União – e que a política era “grosseira”. Para Dilma, a desoneração da folha é “importantíssima e continua sendo”.

Levy anunciou nesta sexta um pacote de aumento de impostos e redução de benefícios a empresas. Durante o evento, o ministro fez críticas ao programa de desoneração. “A troca entre a folha e o faturamento não era muito vantajosa”, disse. Segundo ele, a “brincadeira” custou 25 bilhões de reais aos cofres públicos. “O governo está gastando para manter um emprego que não vale a pena”, afirmou. “É por isso que estamos reduzindo esse tipo de desoneração, pelo tipo de ineficiência dela”, afirmou. Levy classificou como “boa” a intenção do governo ao adotar a medida, mas que o resultado não foi o esperado.

“Se não fosse importante, já teríamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo”, comentou Dilma a jornalistas, pouco antes de participar da inauguração do Parque Eólico Artilleros, em Tarariras, no Uruguai. “O ministro e todos os setores estão comprometidos com a melhoria das condições fiscais do país. A desoneração da folha de pagamento é uma realidade e nós garantimos que haja um reajuste nas condições”, declarou Dilma. De acordo com a presidente, a desoneração da folha não é “simplesmente um instrumento de ajuste fiscal”. “É um instrumento que vai permanecer. Agora, em certas conjunturas, temos de reajustá-los, ou para cima, ou para baixo”, apontou.

Questionada se o ajuste fiscal seria um reconhecimento do erros de gestão do primeiro mandato, Dilma respondeu: “Meu querido, quando a realidade muda, a gente muda”. Citou o exemplo da tarifa da energia elétrica, que vai subir em média, 23%, a partir da próxima segunda-feira. “A tarifa da energia decorre da chuva. Quando aumenta a chuva, diminui a tarifa, porque entra a energia hidrelétrica. Quando diminui a chuva, diminui a hidrelétrica e aí tem de contratar a térmica, e térmica é mais cara”, disse a presidente.

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Crise – Na avaliação da presidente, o Brasil vai sair da crise “mais forte”. “O Brasil tem fundamentos sólidos. Passamos dificuldades conjunturais e isso garantirá que o Brasil saia em outro patamar, podendo continuar a crescer, garantindo empregos que nós criamos e garantindo renda que nós conquistamos”.

(Com Estadão Conteúdo)

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