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Dilma dá posse a Edinho Silva e oficializa PT na Secom

Presidente afirmou que é favorável ao uso de todos os meios de comunicação disponíveis para defender sua gestão

Por Laryssa Borges 31 mar 2015, 12h53

No momento em que dirigentes petistas, insuflados pelo ex-presidente Lula, falam abertamente em “partir para o ataque” contra quem se opõe ao governo Dilma Rousseff, a presidente deu posse nesta terça-feira ao novo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o petista Edinho Silva. E afirmou que é favorável a que o governo federal utilize todos os meios de comunicação disponíveis para defender sua gestão e tornar públicas as políticas de seu novo mandato. Disse também que a pasta, agora comandada por seu tesoureiro de campanha, deve apoiar “a expansão das teias de opiniões, olhares e interpretações de realidade à disposição dos brasileiros”.

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O antecessor de Edinho no cargo, Thomas Traumann, pediu demissão depois do vazamento de um documento elaborado pela Secom segundo o qual o governo passa por um “caos político” – e tornou sua comunicação “errática” ao se distanciar dos blogs sujos, financiados com dinheiro público para defender o governo do PT. “A Secretaria de Comunicação sempre terá como princípio inarredável o respeito à liberdade de todos se expressarem, seja na imprensa tradicional, internacional, seja nas redes sociais, seja na blogosfera, nas ruas e nas praças”, disse a presidente.

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Com a saída de Traumann, o PT pressionou o Planalto para que um representante do partido passasse a controlar a distribuição das verbas de publicidade, uma das atribuições da Secom. Uma das hipóteses defendidas era a transferência dessa atribuição para o Ministério das Comunicações, que já está sob controle do petista Ricardo Berzoini. Com a nomeação de Edinho Silva, a presidente deixará a verba nas mãos de um partido cujo presidente, Rui Falcão, afirmou recentemente em reunião fechada com a bancada que o governo deve restringir a veiculação de publicidade nos veículos de comunicação que “apoiaram” e “convocaram” as manifestações de 15 de março.

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O mesmo tom beligerante foi ouvido nesta segunda-feira em reunião dos dirigentes regionais do PT – ao término da qual o partido emitiu um comunicado em total desconexão com os pleitos dos brasileiros que protestam contra o governo. O manifesto chega a dizer que a esquerda e seus movimentos sociais alinhados são alvos de uma campanha de criminalização com objetivo de atingir seu aniquilamento. “Querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia, em um contexto adverso de crise mundial prolongada”, diz o texto.

Sem experiência na área de comunicação, Edinho já defendeu publicamente que o PT respondesse ao que considera uma “ofensiva conservadora”. “Há, sim, erros no nosso campo político. Nunca na nossa história assimilamos com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista e nunca estivemos tão paralisados”, afirmou ele em um artigo do dia 10 de março.

Na solenidade de posse de Edinho Silva, Dilma destacou a importância da liberdade de imprensa e defendeu o direito de as pessoas protestarem nas ruas. “A liberdade de expressão e de imprensa é, sobretudo, o exercício de ter opiniões, de criticar ou apoiar. É o direito de ter oposição e de externá-la sem consequências e sem repressão. É a liberdade ir às ruas reivindicar direitos ou simplesmente protestar. No Brasil temos que saber conviver com isso”, afirmou a presidente.

“Estamos comprometidos com o direito de manifestar e de criticar, de sermos todos contra a censura, a autocensura, as pressões, os lobbies e os interesses não confessados que podem coibir o direito à livre manifestação e à liberdade de imprensa. Temos obrigação de explicar ao povo que passamos por uma conjuntura que exige maior rigor dos gastos públicos e ajustes para que o país volte a crescer o mais breve possível”, declarou Dilma.

Após tomar posse, o ministro Edinho Silva evitou comentar sobre o documento elaborado pelo antecessor e que desclassificava a comunicação do governo, mas defendeu que o governo unifique o discurso sobre a necessidade de aprovação das medidas econômicas de ajuste fiscal. Pela manhã, o novo ministro participou da reunião de coordenação do governo e discutiu como dialogar com o Congresso para que as propostas de arrocho econômico sejam aprovadas.

Responsável por um orçamento de 180 milhões de reais em 2015, Edinho Silva disse que pretende adotar “critérios técnicos” para a distribuição de verbas publicitárias, embora o governo petista financie, sem transparência, veículos que adotam linha editorial favorável ao Planalto. “Minha postura sempre será a de se nortear pelo critério técnico naquilo que diz respeito à distribuição de recursos. Serei um gestor extremamente zeloso para que se possa garantir a boa utilização dos recursos e otimizar a execução orçamentária e fazer que recursos possam chegar ao maior número de veículos”, disse. “Na minha gestão não tem tema proibido, não tem conflito que não possa ser explicado, não tem contradição que não possa ser esclarecida”, completou.

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