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Dilma critica investigação contra Lula e diz: ‘Ele terá poderes necessários’

Presidente afirmou que apuração contra o antecessor tem 'critérios estranhos'. Disse também que está 'muito confortável' com a vinda de Lula para o primeiro escalão

Por Da Redação - 16 mar 2016, 17h11

Horas depois do anúncio oficial da nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil, a presidente Dilma Rousseff concedeu nesta quarta-feira entrevista coletiva dedicada basicamente a defender o antecessor, denunciado à Justiça de São Paulo por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, que teve um pedido de prisão preventiva, além de ser investigado na Operação Lava Jato. A petista afirmou que as investigações contra o ex-presidente têm critérios “estranhos”. Ela também negou que a chegada de Lula provoque trocas do comando da economia. “A vinda do Lula fortalece o meu governo. Ele vai ajudar. O presidente Lula, no meu governo, terá os poderes necessários para nos ajudar, para ajudar o Brasil. Tudo o que ele puder fazer para ajudar o Brasil será feito. Nós vamos olhar a questão da retomada do crescimento, da estabilidade fiscal e do controle da inflação”, disse.

“Os critérios de investigação são extremamente estranhos em relação ao presidente Lula, muito estranhos. O presidente Lula nega que tenha o tríplex e o sítio. Ele deu explicações suficientes, não se recusa a dar explicações. Acho estranho que ele seja levado coercitivamente e que seja pedida a preventiva dele sem base num fato que caracterize isso”, disse Dilma. “O presidente Lula, que esteve à frente do país oito anos, não é uma pessoa que pode ter sua biografia destruída dessa forma. Não está certo isso. Mostra na trajetória dele, na biografia dele e no compromisso dele com todas as práticas corretas e idôneas.”

Dilma disse que está “muito confortável” com a ida de Lula para o primeiro escalão de seu governo – o que a oposição decreta como um ‘autogolpe’, o fim de seu mandato. “A vinda do Lula fortalece o meu governo”, rebateu. Ela citou que, ao vincular a nomeação de Lula à conquista da prerrogativa de foro privilegiado, a oposição lança uma suspeita sobre o Supremo Tribunal Federal – cujos onze ministros foram, em sua maioria, indicados por Lula e Dilma. “A troco de que vou achar que a investigação do juiz Sergio Moro é melhor do que a do Supremo?”

A presidente afirmou que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, “estão mais dentro do que nunca” de seu governo. Dilma negou que seu governo vá usar os cerca de 370 milhões de dólares de reservas internacionais para promover investimentos em infraestrutura no país, como defende o PT. Salientou que a conquista das reservas exigiu grande esforço e que elas não são adequadas para robustecer um fundo de investimentos em infraestrutura. “Jamais teremos uma pauta de uso dessas reservas que não seja a proteção do país contra flutuações internacionais”, declarou. Ela disse que Lula tem compromissão com a responsabilidade fiscal e com o controle da inflação.

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Dilma confirmou a ida de Jaques Wagner para a chefia do gabinete pessoal da Presidência, do subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, para o Ministério da Justiça, e do deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para a Secretaria da Aviação Civil.

Dilma asseverou que “mantém a confiança” no ministro da Educação, Aloizio Mercadante, flagrado oferecendo ajuda “dentro do governo” para evitar a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (MS), conforme revelou o site de VEJA. A presidente disse que Mercadante “deu explicações satisfatórias” sobre a oferta de apoio político, financeiro e jurídico a Delcídio, seu ex-líder no Senado.

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