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Diante do G20, Bolsonaro muda o discurso e defende a vacina contra a Covid

Em sua fala oficial, o presidente, que se recusa a tomar o imunizante, enalteceu a importância do avanço da vacinação no país, mas não falou de mortes

Por Sofia Cerqueira Atualizado em 30 out 2021, 18h01 - Publicado em 30 out 2021, 13h37

Diante dos líderes das maiores economias do mundo no primeiro encontro presencial do G20 desde o início da pandemia, em Roma, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um discurso que, curiosamente, vai na contramão de quase tudo que sempre defendeu e bradou durante o enfrentamento ao novo coronavírus no Brasil. Em sua fala oficial, ele enalteceu o avanço da vacinação contra Covid-19 no país, onde mais da metade da população adulta já recebeu as duas doses.

Omitiu, no entanto, que o país contabiliza mais de 600.000 mortes em decorrência da doença. Em nenhum momento durante o discurso, no encontro que acontece na capital italiana neste fim de semana, ele repetiu as reiteradas críticas que tem feito às vacinas — como a insistência em dizer que elas são experimentais e podem trazer riscos graves (o que não é verdade) ou que é contra a adoção do passaporte da vacina. Também não citou o fato de que ele próprio tem se recusado a tomar o imunizante — já disse, inclusive, que não tomará.

Logo ao assumir o microfone, Bolsonaro adotou uma postura contrária ao seu recorrente discurso e destacou a importância e o avanço da vacinação no país. “No Brasil, mais da metade da população nacional já está plenamente imunizada de forma voluntária. Mais de 94% da população adulta já recebeu pelo menos uma dose da vacina. Ao todo, aplicamos mais de 260 milhões de doses, das quais mais de 140 milhões foram produzidas em território nacional”, afirmou. O mesmo presidente que é crítico da vacina ressaltou publicamente que os esforços dos integrantes do G20 deveriam focar no combate à epidemia da Covid-19: “Entendemos, portanto, caber ao G20 esforços adicionais pela produção de vacinas, medicamentos e tratamentos nos países em desenvolvimento”.

Bolsonaro afirmou ainda que, além da vacinação, o governo brasileiro trabalha uma agenda econômica para minimizar os efeitos da pandemia no país e, assim, assegurar a retomada do crescimento econômico. “O Brasil se comprometeu com um programa extensivo e eficiente de vacinação, em paralelo a uma agenda de auxílio emergencial e preservação do emprego para a proteção dos mais vulneráveis. Estamos igualmente comprometidos com uma agenda de reformas estruturantes, essenciais para uma retomada econômica sustentada. Já conseguimos atrair um volume superior a 110 bilhões de dólares em investimentos nos setores de infraestrutura e temos a expectativa de alcançar valores ainda superiores até 2022”, disse.

Bolsonaro, na sequência, ressaltou a importância de um “comércio internacional livre de medidas distorcidas e discriminatórias”.

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