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Deputados pedem abertura de investigação contra Eduardo Cunha

Grupo de 30 parlamentares afirma que evidências contra o presidente da Câmara 'vêm aumentando conforme avançam as investigações'

Um grupo de trinta deputados federais, majoritariamente do PT, protocolou nesta quarta-feira na Corregedoria da Câmara dos Deputados representação pedindo a abertura de investigação contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A ofensiva dos parlamentares ocorre após a revelação de que o peemedebista tem contas secretas na Suíça onde, suspeitam os investigadores da Lava Jato, ele teria depositado dinheiro de propina.

Eduardo Cunha é alvo de inquérito apresentado pelo procurador-geral Rodrigo Janot por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, mas pode ser alvo de novas acusações no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa das contas secretas no exterior. No fim do mês passado, o Ministério Público Federal confirmou que Cunha é investigado na Suíça por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. As autoridades encontraram contas secretas do peemedebista e de familiares no país europeu. O saldo foi bloqueado e há indícios de que elas conteriam propina supostamente recebida pelo deputado no escândalo do petrolão.

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“A denúncia ainda não foi acatada, mas as evidências vêm aumentando conforme avançam as investigações”, dizem os deputados signatários da representação. Eles lembram que cinco delatores da Lava Jato – Alberto Youssef, Julio Camargo, Fernando Baiano, Eduardo Musa e João Augusto Henriques – já citaram o peemedebista como uma das autoridades que receberam propina do petrolão ou que mantinham ampla influência política na Petrobras afirmam que Eduardo Cunha negou, junto à CPI da Petrobras, ter contas escondidas no exterior. “As referidas contas jamais foram declaradas no Imposto de Renda do parlamentar, tampouco constam de sua prestação de contas junto ao TSE. Mais do que isso, em várias oportunidades (…) o presidente da Casa negou possuir contas no exterior”, dizem os congressistas. Eles afirmam ter havido quebra de decoro parlamentar por omissão intencional de informações.

“O Brasil já passa por uma crise política e econômica de grande estatura. O parlamento não pode deixar que uma crise moral ainda se instale dentro de seus próprios quadros, sobretudo na figura do seu próprio presidente”, afirmam. Com a representação, o próximo passo é a Corregedoria encaminhar o caso para a Mesa Diretora analisar a alegação dos deputados. A Mesa, comandada por Cunha e seus aliados, decide, na sequência, se determina a abertura de investigação pelo corregedor. A Corregedoria é comandada pelo deputado Manato (SD-SP), aliado do peemedebista. Após um parecer do corregedor, o caso retorna à Mesa Diretora, que decide se encaminha o processo ao Conselho de Ética.