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Deputados evangélicos cobram explicações do governo sobre campanha para prostitutas

Comissão de Direitos Humanos aprovou o envio de um pedido de informações ao ministro Alexandre Padilha após mais uma campanha infeliz da pasta

Deputados da bancada evangélica na Câmara criticaram nesta terça-feira a campanha do Minsitério da Saúde sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, que tem como protagonista prostitutas. Uma das peças da campanha estampa a frase: “Eu sou feliz sendo prostituta”.

Os parlamentares querem que o ministro Alexandre Padilha dê explicações sobre o teor do material e quanto ele custou aos cofres públicos. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou o envio de um pedido de informações ao ministério. Após a repercussão negativa da campanha infeliz, Padilha afirmou que o material não passou pelo crivo do ministério.

“Esse governo tem uma capacidade de buscar certos temas que me assusta”, afirmou o deputado João Campos (PSDB-GO). “Estou imaginando as próximas campanhas: ‘Sou pedófilo, sou feliz. Sou adúltero, sou feliz’, ironizou.

O deputado Marcos Rogério (PDT-RO) também criticou: “O que o governo faz é um crime, é apologia à prostituição. O governo está patrocinando um crime ao defender essa conduta”.

“Essa campanha representa um desfavor à sociedade. Ninguém é feliz sendo explorada sexualmente”, disse a deputada Liliam Sá (PSD-RJ).

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, evitou entrar no debate. Ele apenas concordou em cobrar explicações da pasta: “Vamos enviar requerimento ao ministério sobre essa famigerada campanha”.

Fiascos – A iniciativa ocorre na sequência de uma série de fiascos em campanhas do Ministério da Saúde na gestão do petista. Em março deste ano, o Ministério da Saúde suspendeu distribuição de um material direcionado para o público adolescente e que tinha como tema a prevenção da aids. O kit era formado por seis revistas em quadrinhos e tratava de assuntos como gravidez na adolescência, uso de camisinha e homossexualidade. Na época, mais uma vez Padilha afirmou que a distribuição do material foi realizada sem o seu consentimento, além de não ter sido aprovado pelo conselho editorial.

Em maio de 2011, mais um projeto foi suspenso. A própria presidente cancelou a entrega de um kit de combate à homofobia produzido pelos ministérios da Saúde e da Educação.O material foi produzido pela Oficina de Comunicação em Saúde para Profissionais do Sexo, realizada entre os dias 11 e 14 de março em João Pessoa (PB). O objetivo da ação é se “opor ao estigma da prostituição associada à infecção pelo HIV e aids” e celebrar o Dia Internacional das Prostitutas (2 de junho).

No mês passado, o ministério gastou 10 milhões de reais em uma campanha que informava, de forma equivocada, que pessoas com problemas relacionados a planos de saúde particulares deveriam ligar para a Ouvidoria do SUS, que trata da saúde pública. A campanha precisou ser corrigida.

(Com Estadão Conteúdo)