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Deputado Nelson Meurer recebeu R$ 159 mil de doleiro, diz PF

Não é a primeira vez que o nome do parlamentar, mais um do PP, aparece no escândalo do petrolão

Por Laryssa Borges - 23 jan 2015, 20h22

A Polícia Federal informou ao juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, ter encontrado indicativos de que o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) recebeu pelo menos 159.000 reais do doleiro Carlos Habib Chater, supostamente a mando de outro doleiro, Alberto Youssef, um dos principais delatores do escândalo do petrolão.

O nome de Meurer e os respectivos repasses financeiros constam de um conjunto de tabelas de Chater analisadas pela Polícia Federal a partir de planilhas de “contabilidade informal” feitas em um posto de gasolina do doleiro. De acordo com Moro, “os lançamentos podem retratar pagamentos efetuados por Carlos Habib Chater, a pedido de Alberto Youssef, ao referido parlamentar”. Por conta dos indícios contra o deputado, que tem direito a foro privilegiado, o caso foi remetido para o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome de Nelson Meurer se junta a referências de outros parlamentares também citados no escândalo do petrolão, como o deputado cassado André Vargas (ex-PT-PR), o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o deputado Luiz Argôlo (SD-BA), que não conseguiu ser reeleito em outubro. Além desses nomes, em acordo de delação premiada, Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa citaram diversos deputados, senadores e ex-governadores.

Os nomes deles ainda não foram confirmados, mas o procurador-geral da República Rodrigo Janot deve apresentar ao STF ainda em fevereiro denúncia contra os políticos citados como beneficiários diretos da propina movimentada a partir de fraudes em contratos com a Petrobras.

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“Informa agora a autoridade policial que, no exame do material apreendido foram identificadas novas provas de crimes cometidos por parlamentar federal, especificamente pelo deputado federal Nelson Meurer. Trata-se novamente de encontro fortuito de provas, não estando o fato no prognóstico inicial da investigação”, explica Moro ao enviar as provas para o STF.

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“No exame da contabilidade, informa a autoridade policial que encontrou lançamentos efetuados a título de “Nelson” e “Nelson Meurer” nos anos de 2008 e 2009 e que, pelas rubricas utilizadas, estariam relacionados a negócios de Carlos Habib Chater com Alberto Youssef”, completa o juiz.

Não é a primeira vez que o deputado paranaense aparece nas investigações da Lava Jato. Em maio do ano passado, ainda no início da operação, reportagem de VEJA mostrou que políticos filiados ao PP, como o ex-ministro Mário Negromonte e o deputado João Pizzolatti (SC), mantinham estreita relação com o doleiro Alberto Youssef, inclusive realizando visitas em seu escritório de São Paulo. Na lista, aparece também Nelson Meurer, que, com o intermédio de Youssef, recebeu doações das empreiteiras. Em um dos documentos apreendidos pela Polícia Federal há a indicação de que o congressista recebeu 500.000 reais do doleiro.

(Com reportagem de Marcela Mattos, de Brasília)

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