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Deputado desmente Negromonte e confirma reunião partidária no Ministério das Cidades

Em entrevista a VEJA, João Pizzolatti descreve reunião cuja existência ministro negou em nota oficial. No Planalto, troca de comando na pasta é dada como iminente

Por Paulo Celso Pereira - 24 ago 2011, 19h08

O tempo de Mário Negromonte à frente do Ministério das Cidades está contado. Segundo fontes do Planalto, a presidente Dilma Rousseff e seus assessores mais próximos avaliam nomes para substitui-lo. Reportagem de VEJA revelou que, na semana passada, o ministro instalou um grupo de quatro deputados de sua inteira confiança – João Pizzolatti, Neuson Meurer, Luis Fernando Faria e José Otávio Germano – numa sala anexa ao seu gabinete. Objetivo: convencer os colegas do PP a apoiar uma ofensiva para retomar o comando da legenda no Congresso. Três deputados que participaram da reunião revelaram a colegas que um dos argumentos utilizados para tentar cooptá-los foi a promessa de uma mesada de 30 000 reais. Diante da gravidade da denúncia, o caso foi levado por representantes do próprio PP ao conhecimento do Palácio do Planalto. Instado a se explicar, no último sábado Negromonte divulgou uma nota negando não só a oferta de dinheiro mas também a existência da “reunião partidária dentro das dependências do Ministério das Cidades”. Ocorre que, em entrevista a VEJA na última sexta-feira, antes da publicação da reportagem, João Pizzolatti confirmou a reunião com os deputados, disse que ela aconteceu na antessala do ministro, que participaram das discussões ele e mais três colegas e que Negromonte entrava e saía da sala a todo instante. Ele negou apenas a existência da oferta financeira. Leia abaixo a entrevista em que o ministro é desmentido por um de seus aliados mais próximos: O senhor foi ao ministério terça-feira, dia 16? Sim, fui. Quais foram as reuniões que o senhor teve lá? Estavam lá alguns deputados. Eu, o deputado Nelson Meurer, o deputado Luis Fernando Faria e o deputado José Otávio Germano. Basicamente isso. Nós ficamos na antessala. O ministro aparecia, conversava conosco e voltava para atender outras pessoas. Vocês ficaram na antessala do ministro? O ministro tem várias salas. Nós ficamos numa antessala e o ministro vinha, conversava com a gente. Sei que ele atendeu nesse período o deputado Aguinaldo Ribeiro com o pai dele e o deputado Raul Lima. Eu conversei com o deputado Raul Lima. Qual foi o teor da conversa com o Raul Lima? Foi a manutenção dele no PP. Eu disse: “Raul, se depender de mim você não sai do partido. Vamos buscar um entendimento com o Neudo Campos para que a gente construa uma possibilidade de você ficar e se manter num bom relacionamento do PP em Roraima”. Foi basicamente isso. Em algum momento o senhor falou com ele sobre liderança? Ah, conversei, é claro. Ele tinha assinado a lista que tirou o Nelson Meurer da liderança. É claro que eu pedi para ele vir para o nosso lado. Ele disse que estava pensando, porque já tinha assinado, tinha dado a palavra, se sentia constrangido em mudar uma posição já tomada. Alguma coisa nesse sentido. O senhor pediu para ele mudar de lado? É claro que eu pedi. Mas não com o ministro, o ministro não estava presente. O senhor lhe ofereceu alguma coisa? Não, absolutamente nada. Não foi oferecido absolutamente nada a ninguém. Foram vocês que convidaram o Raul Lima para ir lá ou ele apareceu de repente? Eu não sei como ele foi lá. Provavelmente ele marcou uma audiência com o ministro e nós nos encontramos. Eu fiquei atrás do Raul, telefonei várias vezes para falar com ele. Ele não me atendia. Acabei por encontrá-lo no ministério.

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