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Deputada ameaça abandonar comissão após declarações de Feliciano

Vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Antônia Lúcia afirmou que "não aceita" declarações de Marco Feliciano

Por Da Redação 1 abr 2013, 18h44

Substituta imediata de Marco Feliciano (PSC-SP) no comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a deputada Antônia Lúcia (PSC-AC) ameaçou nesta segunda-feira renunciar ao cargo de vice-presidente do colegiado. Segundo ela, a decisão foi tomada após o deputado afirmar que a comissão “era um espaço até ontem dominado por Satanás”.

Durante culto evangélico, na última sexta-feira, na cidade mineira de Passos, Feliciano disse que gostaria de explicar as manifestações que tem enfrentado desde que assumiu a presidência da comissão. “Essa manifestação toda se dá porque, pela primeira vez na história deste Brasil, um pastor cheio de Espírito Santo ocupa um espaço que até ontem era dominado por Satanás”, afirmou.

A deputada Antônia Lúcia, que é evangélica como Feliciano, disse ter ficado ofendida com a fala. “Em respeito à minha própria pessoa, ao meu trabalho como parlamentar, eu não aceito uma declaração dessas. Eu acho que nós temos que separar Igreja de parlamento”, disse, em entrevista à Agência Câmara. Ela ainda defendeu o antecessor de Feliciano no cargo, Domingos Dutra (PT-MA), um dos líderes das manifestações contra o deputado do PSC. “Convivi durante estes anos todos com o deputado Domingos Dutra e em nenhum momento eu diagnostiquei qualquer atitude dele que me levasse à conclusão de que ele é satânico.”

Após a repercussão de sua fala, Feliciano usou o Twitter para se justificar: “Duas mil pessoas tiveram seu direito de liberdade de culto violado. Mas o que interessa é que falei sobre Satanás, que significa adversário”. Ele afirmou ainda que pediu desculpas à deputada Antônia Lúcia e que manifestantes tumultuaram o culto em Minas Gerais, “gritando palavrões e assustando crianças”. “Ver mães tapando os olhos e os ouvidos de suas crianças para não verem os ativistas fazendo gestos obscenos machuca”, escreveu.

Feliciano participaria de uma reunião com líderes dos partidos nesta segunda-feira para tratar do impasse na Comissão de Direitos Humanos, mas o encontro foi adiado porque o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se recupera de uma cirurgia.

Pressão – Pastor evangélico e deputado federal de primeiro mandato, Marco Feliciano enfrenta a resistência de partidos de esquerda que tradicionalmente reivindicam o comando da comissão, mas abriram mão do posto neste ano e agora não aceitam a indicação de um pastor evangélico para a cadeira. No caso do PT, o partido não pleiteou a presidência do colegiado para ter o direito de chefiar comissões consideradas mais nobres, como a de Constituição e Justiça (CCJ), que abriga os mensaleiros José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP), ambos condenados pela Justiça. Ou seja, pelo acordo fechado previamente entre os partidos, a presidência da Comissão de Direitos Humanos é cota da bancada do PSC e cabe ao partido escolher seu representante, o que torna a indicação de Feliciano legítima.

Além da pressão dos deputados, Feliciano enfrenta também protestos de movimentos que defendem a destituição do parlamentar do cargo, sob acusação de que ele teria feito declarações racistas e homofóbicas.

Augusto Nunes: Campanha contra Feliciano – indignação seletiva

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