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Demóstenes: ‘Mentir não é quebra de decoro’

Em novo discurso, senador jura inocência. Mas, por via das dúvidas, diz que ninguém pode ser punido por faltar com a verdade

Por Gabriel Castro - 9 jul 2012, 15h54

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) retomou, nesta segunda-feira, a sequência de discursos em plenário, em uma última tentativa de escapar da cassação. “Não me envolvi em qualquer crime ou contravenção”, defendeu-se. “Não conhecia as atividades de Carlinhos Cachoeira investigadas pela Operação Monte Carlo”.

Apesar do desinteresse dos colegas pelo tema, o senador afirmou que sua eventual cassação será um acontecimento sem precedentes: “Será a maior injustiça da história do Parlamento Brasileiro”, afirmou Demóstenes, que é alvo de processo por sua ligação com Cachoeira.

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O parlamentar garantiu ser totalmente inocente e negou ter mentido ao dizer, na tribuna do Senado, que não sabia das atividades ilegais do amigo. Mas, por via das dúvidas, disse que ninguém pode ser punido por mentir em plenário. “Ser boquirroto é feio, mas não dá cassação”, afirmou. “Ser gabola é ridículo, mas não custa o mandato. Senador não deve mentir, mas se mentir não configura quebra de decoro. A tribuna é inviolável perante a Constituição”.

Depois de atacar a Polícia Federal nos primeiros discursos, o parlamentar usou o pronunciamento desta segunda-feira para criticar os meios de comunicação e chegou a falar em “ditadura da mídia”. “O Senado não pode cair na armadilha de me fazer bode expiatório de uma crise fabricada”, disse.

O plenário do Senado deve aprovar a cassação de Demóstenes nesta quarta-feira. Será a segunda vez na história em que a Casa aplica a punição a um de seus integrantes. O pioneiro foi Luís Estevão, eleito pelo PMDB do Distrito Federal.

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