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DEM apoia Serra e cobra, em troca, aliança em capitais

Presidente nacional democrata, José Agripino Maia, disse esperar que os tucanos desistam de candidatura própria em ao menos seis capitais

Ao oficializar o apoio do DEM à candidatura do ex-governador José Serra à prefeitura de São Paulo, nesta quinta-feira, no Club Homs, na Avenida Paulista, coração da capital paulista, o presidente nacional democrata, senador José Agripino Maia (RN), cobrou do PSBD a garantia de que serão firmadas alianças entre as duas legendas em outras capitais do país – a começar por Salvador, onde o acordo para apoiar a candidatura do líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto, será fechado nesta sexta-feira.

“Estamos aqui para firmar a primeira de uma série de alianças que temos o dever de estabelecer: a aliança das oposições”, afirmou Agripino Maia no início de seu discurso. “Aqui em São Paulo, estamos lançando a primeira aliança, o ícone, o símbolo maior, que precisa se repetir no resto do país. Os dois têm que estar juntos para que ganhe a oposição no Brasil”.

Além da união na capital da Bahia, o DEM espera que o PSDB abra mão de candidatura própria em prol da aliança em Recife (PE), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Macapá (AP) e Aracajú (SE). “Nessas cidades, onde o Democratas está na frente, é de se esperar que o PSDB apoie o candidato dos Democratas”, disse Agripino.

Apesar de afirmarem que não foi um “troca-troca”, a garantia de apoio do PSDB à candidatura de ACM Neto foi determinante para que o DEM fechasse a aliança na capital paulista. Salvador foi colocada como prioridade, já que é a capital na qual os democratas acreditam ter mais chances de vitória.

O DEM prepara um grande evento nesta sexta-feira, em Salvador, para que o PSDB oficialize a aliança com a legenda. O tucano Antônio Imbassahy, que, até então, resistia em desistir de sua pré-candidatura a prefeito da capital baiana, cedeu e só esperava o anúncio do apoio oficial do DEM a Serra para anunciar sua saída da disputa em favor de ACM Neto. O PSDB deve aceitar a vice na chapa.

Agripino fez questão de lembrar que, em nome de a “oposição ocupar seu espaço no Brasil”, o DEM apoiará o PSDB em outras cidades do país, como Natal e Teresina. “Onde o PSDB for mais forte, como é o caso de São Paulo, o Democratas vai apoiar o PSDB. Onde o Democratas for mais forte, o Democratas espera o apoio do PSDB. A boa prática política manda o entendimento onde tivermos chance real de ganhar a eleição”.

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Resistências – Nas conversas finais, nas quais o governador Geraldo Alckmin foi o principal articulador, o DEM concordou em não impor barreiras à escolha do vice na chapa do ex-governador de São Paulo. O partido disputa com o PSD a indicação de um nome para a vaga. Parte dos dirigentes do DEM sinalizava que não aceitaria um vice indicado pelo prefeito Gilberto Kassab, que deixou o DEM no ano passado para fundar o PSD e fez com que os democratas perdessem , entre todos os partidos, o maior número de políticos para a nova a sigla.

Apesar de não esconder a mágoa em relação a Kassab e de ter declarado diversas vezes que o seu partido não fecharia qualquer parceria com o PSD, Agripino cedeu ao apelo de Alckmin e começou, ele próprio, a trabalhar para vencer as resistências dentro do DEM. “Trabalhamos para vencer resistências porque há uma coisa mais importante do que todas, que é a união das oposições”, afirmou o presidente nacional democrata.

Kassab foi ignorado em todos os discursos, inclusive no de seu padrinho político, José Serra. Mas o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, representou o PSD no encontro.

Definição do vice – José Serra usou parte de sua fala de dezesseis minutos para pedir que DEM e PSD deixem as divergências de lado durante a campanha. “Nós temos que somar essa campanha. Quem está junto na campanha agora é amigo desde criancinha. Todo mundo é amigo desde criancinha”, disse. Depois do evento, Serra afirmou que a tensão entre os dois partidos “faz parte da política”, mas que é “importante que numa campanha estejamos todos juntos”.

A decisão sobre o vice, segundo ele, só sairá na segunda quinzena de julho. O PSDB espera o resultado do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que PSD pede que sua cota no fundo partidário seja calculada de acordo com a bancada de 52 deputados para definir o nome de quem ocupará a vaga.

O julgamento, que está programado para a próxima terça-feira, é decisivo para as pretensões da sigla na eleição de outubro e, principalmente, na disputa de 2014. Já que a decisão sobre o fundo partidário criará jurisprudência para a decisão sobre o tempo de televisão do PSD. O partido espera conquistar ao menos dois minutos do tempo de propaganda.

Até o momento, o DEM agrega 1 minuto e 41 segundos a cada programa de Serra na TV e no rádio. O julgamento do TSE, porém, pode alterar esse quadro – os democratas estimam que podem perder cerca de 30% de seu tempo. Caso o PSD vença, o peso dos democratas será menor e dificilmente o partido conseguirá emplacar o vice. Nesse caso, parte dos dirigentes tucanos, entre os quais o presidente estadual do partido em São Paulo, Pedro Tobias, faz pressão para que o candidato ao cargo saia do próprio PSDB. “Assim resolve o problema”, diz ele.

O DEM, no entanto, acredita que o TSE não dará a vitória ao PSD de Kassab. “A aliança de hoje e o julgamento são assuntos distantes. O DEM ganhará a causa”, afirmou Agripino.

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Alckmin, o “maior avalista” – Descrito por Agripino Maia como “o companheiro que nos ajudou em todos os momentos e avalista maior dessa união”, o governador Geraldo Alckmin foi o grande responsável por convencer Rodrigo Garcia a desistir da pré-candidatura à sucessão do prefeito Gilberto Kassab e do início de namoro com o PMDB do vice-presidente Michel Temer em nome de José Serra.

Para os democratas, pesou o fato de que foi Alckmin quem acolheu o DEM em meio à debandada de integrantes do partido, em maio do ano passado, quando entregou Garcia a secretaria de Desenvolvimento Social. À época, o governador paulista preparou uma grande festa de posse no Hall Nobre do Palácio dos Bandeirantes, onde foram recebidos mais de mil convidados.

“O partido sabe ser grato”, afirmou Agripino, ao final de seu discurso.

Alianças – A aliança firmada com o DEM foi a terceira oficializada em menos de uma semana pelo ex-governador José Serra. No sábado, Serra recebeu o apoio do PSD de Kassab. O PV também já confirmou apoio ao tucano. Os tucanos trabalham, agora, para fechar até semana que vem aliança com PP e PTB. Novamente à frente das negociações, Alckmin jantou com o presidente do PTB, deputado Campos Machado, na semana passada e as conversas avançaram.