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Delúbio Soares se entrega à PF em Brasília; Pizzolato foge

Ex-tesoureiro do PT se apresentou na direção-geral da corporação na manhã deste sábado. Dirceu, Genoino e demais mensaleiros presos estão a caminho da capital federal. Já ex-diretor do BB fugiu - e pegou a PF do Rio de surpresa

Por Gabriel Castro, de Brasília** 16 nov 2013, 10h41

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares se entregou à Polícia Federal na manhã desta sábado, em Brasília. A informação foi confirmada por seu advogado, Celso Vilardi. Delúbio era aguardado na superintendência da PF na capital federal, mas optou por se apresentar no prédio da direção-geral da corporação, escapando assim dos fotógrafos e cinegrafistas que o aguardavam. Ao ser removido para a superintendência, escondeu o rosto com um terno cinza. Os advogados do réu, condenado a 8 anos e 11 meses, haviam acordado com a PF que ele se entregaria entre 10 e 11 horas neste sábado. Já o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, cuja defesa também prometia que se entregaria neste sábado, fugiu para a Itália. Há pelo menos 45 dias ele deixou clandestinamente o Brasil para se esconder no país europeu, fazendo uso de sua dupla cidadania. Às 11h45, o delegado de plantão Marcelo Nogueira recebeu do advogado Marthius Lobato um telefonema confirmando que o réu não se entregaria.

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e deputado licenciado José Genoino, que passaram a noite na carceragem da PF em São Paulo, estão sendo transferidos neste sábado para Brasília. O voo que levará a dupla de mensaleiros à capital federal saiu à tarde tarde do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, fazendo escala em Belo Horizonte por volta das 15h20. Viajando em um jato da própria Polícia Federal, eles fazem a segunda etapa da viagem acompanhados dos condenados que estavam na Superintendência da PF na capital mineira. A remoção dos presos para a capital federal foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a emissão dos mandados de prisão contra doze condenados no processo do mensalão. Em Brasília, a Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal definirá o destino dos réus. A chegada está prevista para as 17 horas.

Dos doze mensaleiros cujas prisões foram decretadas pela Justiça, onze se entregaram à Polícia Federal em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A lista dos primeiros detentos do mensalão inclui o ex-ministro José Dirceu, o operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, e o ex-presidente do PT José Genoino. Além dos três, outros sete condenados já estão na carceragem da polícia: Kátia Rabello, Simone Vasconcellos, Jacinto Lamas, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, José Roberto Salgado e Romeu Queiroz. Neste sábado, foi a vez do ex-tesoureiro Delúbio Soares.

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O primeiro mensaleiro a se entregar foi o deputado licenciado José Genoino (SP), que presidia o PT na época do estouro do escândalo. Ele se apresentou à sede da PF em São Paulo às 18h20. Na porta do prédio da PF, ergueu o braço com o punho cerrado, num gesto repetido duas horas depois pelo ex-ministro José Dirceu. Os dois passarão a noite no local e só deverão ser transferidos para Brasília no domingo, quando se apresentarão ao juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, que definirá os locais onde cada um cumprirá sua pena.

Em Brasília, Dirceu, Genoino e os demais condenados em semiaberto deverão ser levados para o Centro de Detenções Provisórias do DF. Normalmente, os presos que cumprem pena em regime semiaberto dormem em um galpão com beliches. Eles poderão levar apenas duas calças, um tênis, um sapatênis, uma sandália de borracha, uma blusa de frio, dois lençóis (claros), um cobertor (sem forro), duas camisas e duas bermudas – todas brancas. Eles poderão deixar o local para trabalhar ou estudar e deverão retornar para dormir na cadeia diariamente.

Posteriormente, os advogados dos condenados no semiaberto poderão solicitar transferências para unidades próximas de seus domicílios. No caso de Dirceu, sua pena inicial de sete anos e onze meses de prisão poderá subir para dez anos e dez meses caso o Supremo rejeite no ano que vem seu recurso contestando o crime de formação de quadrilha. Nesse caso, ele migrará para o regime fechado.

Já os quatro réus condenados a regime fechado, como Marcos Valério e a banqueira Kátia Rabello, deverão começar a cumprir pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Os advogados desses réus negociam que eles fiquem em celas individuais. Cada cela tem pelo menos seis metros quadrados, sanitário, lavatório e cama de concreto com colchão. O complexo penitenciário tem 1 300 presos, cem acima da quantidade de vagas.

**Com reportagem de Cecília Ritto, do Rio de Janeiro, e Talita Fernandes, de São Paulo

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