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Delúbio embolsou 550 000 reais do mensalão, diz procurador

Roberto Gurgel mostrou envolvimento do então tesoureiro do PT no esquema e descreveu papel do petista José Genoino

Por Gabriel Castro
3 ago 2012, 16h08

O minucioso relatório do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre o escândalo do mensalão detalha a função de cada figura no esquema de compra de apoio político capitaneado pelo PT no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A investigação do Ministério Público Federal confirmou que Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, atuava como elo entre o núcleo político – comandado pelo ex-ministro José Dirceu – e o núcleo financeiro-operacional – chefiado por Marcos Valério de Souza. Mais do que isso: Gurgel detalhou como Delúbio embolsou 550 000 reais do esquema.

Citando depoimento de funcionários do PT encarregados de sacar o dinheiro para o ex-tesoureiro petista, Gurgel mostrou como, em três ocasiões diferentes, Delúbio ordenou saques de recursos de empresas de Valério. O detino do dinheiro era o próprio Delúbio. “Ele não hesitou em locupletar-se do esquema”, descreveu o procurador.

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Gurgel mostrou ainda que Delúbio Soares se reuniu com Marcos Valério inúmeras vezes. Era o tesoureiro do PT quem apontava ao empresário os destinatários de cada pagamento e o valor a ser repassado a cada um.

O procurador afirmou que o então presidente do PT, José Genoino, era peça-chave da quadrilha porque tornou possível os empréstimos fraudulentos que abasteceram as empresas do grupo de Valério, o empresário responsável por distribuir os recursos do mensalão.

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“Foi ele quem avalizou supostos empréstismos em valores milionários tomados pelas empresas de Marcos Valério junto aos Bancos Rural e BMG, destinados ao PT, dando seu patrimônio pessoal como garantia”, disse Gurgel, em referência a Genoino.

O procurador sustentou que Genoíno, Delúbio, Dirceu e Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT, se organizaram para montar o esquema do mensalão com o objetivo de comprar apoio de deputados no Congresso e abastecer ilicitamente o caixa de campanha do PT.

Provas – Gurgel, que começou a falar por volta das 14h30, utilizará cinco horas nesta sexta para pedir a condenação de 36 dos 38 réus que integram a ação penal do mensalão. No início de sua exposição, no plenário do STF, o chefe do MP resumiu: “A robustez da prova colhida faz risível a assertiva de que mensalão é ficção ou delírio do MP”.

“O Ministério Público está absolutamente convencido de que a prova colhida nos autos, associada aos elementos de autoria e materialidade dos delitos, não deixa dúvidas quanto à procedência da acusação”, disse ele. Assim como fez no memorial entregue aos ministros do Supremo, Roberto Gurgel voltou a classificar o mensalão como “o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro público flagrado no história do Brasil”.

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Ao expor seus argumentos, o procurador-geral recorreu ao intelectual Norberto Bobbio para refutar a tese de que, no mensalão, seria “justificável” construir, por meios escusos, uma sólida base parlamentar no Congresso. “Não se justifica o injustificável à luz dos parâmetros normativos de funcionamento do estado”, disse, ao citar Bobbio.

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