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Delegados rebatem irmão de PC e falam em suborno

Responsáveis pela investigação disseram que jornalista que trabalhava para Augusto Farias ofereceu 100 000 reais para evitar indiciamento do ex-deputado

Por Da Redação
8 Maio 2013, 14h23

Os delegados de polícia Alcides Andrade e Antônio Carlos Lessa, que investigaram a morte de Paulo César Farias, o PC, e Suzana Marcolino, negaram em depoimento nesta quarta-feira terem feito qualquer proposta ao irmão de PC, o ex-deputado federal Augusto César Farias, para que ele “entregasse” os quatro policiais acusados de participação no crime e que estão sendo julgados esta semana, em Maceió.

Augusto Farias disse um dia antes na sessão do júri em Maceió que os delegados prometeram à época das investigações “tirar o nome dele do processo” caso ele acusasse os seguranças. Convocados ao plenário por causa da acusação de Augusto Farias, Andrade e Lessa afirmaram ainda que houve uma tentativa de suborno por parte de um jornalista que trabalhava na Tribuna de Alagoas, jornal da família Farias.

Andrade e Lessa reagiram com estranhamento sobre a revelação de Augusto Farias. Eles sugeriram que a acusação é uma “estratégia da defesa”. “Só posso admitir que seja isso. Na ocasião não foi levantada essa hipótese. Tomei conhecimento ontem do fato”, disse Lessa. Já Alcides Andrade disse que “em nenhum momento houve esse fato”.

Questionados pelo juiz se tinham recebido proposta de propina, os delegados confirmaram. “Eu recebi essa proposta do jornalista Roberto Bahia, então diretor da sucursal da Tribuna de Alagoas em Arapiraca”, disse Lessa. “Pela nossa amizade, ele se achou no direito de ser o portador da Tribuna de Alagoas, do Grupo Farias, dizendo que o pessoal estava preocupado pelo indiciamento do deputado.”

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Lessa relatou que a proposta se repetiu pelo menos três vezes e chegou a ser gravada por ele. Em um das ocasiões, uma equipe da TV Globo, avisada por Lessa, teria registrado o oferta feita pessoalmente. Ele disse que Bahia insistia que eles aceitassem 100 000 reais como gratificação. Mas sustentou que a oferta foi recusada: “Eu disse ‘diga a ele que não se preocupe, que se ele não tem envolvimento dormirá tranquilo'”.

Indagado pela defesa sobre o motivo pelo qual não prendeu em flagrante o jornalista, Lessa respondeu que tentava flagrar a oferta com o dinheiro em mãos. “Não o prendi porque ele não tinha ido com o dinheiro. No terceiro encontro ele iria e íamos prender. Queríamos que ficasse materializado com a entrega do dinheiro. Queríamos mais”, disse. Lessa afirmou que chegou a denunciar o jornalista, mas não sabia do desfecho do processo contra Bahia.

Na fase de inquérito, eles indiciaram Augusto Farias como mandante, além dos quatro policiais que atuavam na segurança de PC e três caseiros por omissão.

Irmã – Mais cedo, Anna Luiza Marcolino, irmã de Suzana, afirmou que ela relatara à mãe estar sendo seguida em uma “época próxima” da morte. Anna Luiza também disse que Augusto Farias não gostava de Suzana e era “ciumento”. Ela relatou ao júri que não sabia que Suzana possuía uma arma. E confirmou todas as informações prestadas anteriormente ao Ministério Público no decorrer das investigações.

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Em apelo à defesa, Anna Luiza pediu que Suzana não seja chamada de prostituta durante o julgamento. “Uma mulher não se sente bem ao ouvir que é uma prostituta, quando isso não é o caso”, disse. “Minha irmã não merecia ser assassinada como ela foi. Ela jamais se mataria.”

Histórico – PC Farias foi o cabeça do esquema corrupto instaurado no governo de Fernando Collor no início dos anos 90. Em troca de dinheiro, facilitava a vida de empresários interessados em tocar obras públicas, aproveitando-se da influência que exercia sobre o então presidente. PC nomeou, demitiu e influenciou as decisões do governo. Comandando um esquema de poder paralelo, traficou influência e desviou recursos públicos, como ficaria provado por uma série de documentos revelados por VEJA naquele tempo.

Em 1993, ao ter sua prisão preventiva decretada, PC fugiu do país para a Tailândia – e voltou algemado. No ano seguinte, foi condenado a sete anos de prisão por falsidade ideológica e sonegação fiscal, mas fugiu do país em seguida. Cumpriu um ano e meio de prisão, até obter a liberdade condicional por decisão do Supremo Tribunal Federal. Fora da cadeia, tentou retomar sua vida como empresário, até que foi encontrado morto.

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