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Delator diz que pagou R$ 532 mil ao PT em propina de Belo Monte

Em depoimento à Lava Jato, Milton Pascowitch afirmou que outros 14 milhões de reais em propinoduto foram entregues na sede do partido, em São Paulo

O delator Milton Pascowitch, preso em maio na 13ª fase da Operação Lava Jato, declarou em depoimento à Polícia Federal que pagou propina de 532.765 reais em espécie ao PT – e que o valor teve origem nas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA). De acordo com o empresário, o dinheiro saiu da construtora Engevix e foi repassado por ele na sede do partido, em São Paulo, ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto, em novembro de 2011. As informações constam em relatório do Ministério Público que embasou a 17ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira.

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De acordo com o documento, “a respeito dos pagamentos a Vaccari, Milton ressaltou que os repasses ocorriam para o próprio Vaccari ou ao PT, em espécie e via doações legais, sendo que cabia a Almada [Gerson Almada, ex-vice presidente da Engevix] como os repasses seriam feitos. A propina em razão do contrato dos cascos replicantes somou, afirmou Milton, cerca de 14 milhões de reais, entregues ao longo de 2009 até 2011. Destes recursos, ressaltou o colaborador, foram feitos pagamento da ordem de 10 milhões de reais em espécie na sede do PT em São Paulo. Informou o colaborador que em duas ocasiões houve entrega para uma portadora de Vaccari, Márcia”. De acordo com o delator, os valores repassados ao ex-tesoureiro do PT eram devolvidos à Jamp Engenheiros por contratos de prestação de serviços que não foram realizados com a Engevix.

Almada foi preso em novembro do ano passado, na 8ª fase da Lava Jato, batizada de Juizo Final. Em depoimento ao juiz Sergio Mooro, que conduz os processos da operação, em Curitiba (PR), ele já havia afirmado que pagou propina ao Partido dos Trabalhadores em forma de doações. Desde abril deste ano, Almada responde ao processo em liberdade.

(Da redação)