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Defesa de Youssef alegará que desvio bancava ‘projeto de poder’

Equipe de advogados sustentará tese de que doleiro serviu apenas como 'engrenagem' para fortalecer projeto de poder do PT

A equipe de advogados de Alberto Youssef vai concentrar a defesa na alegação de que o doleiro serviu apenas como uma peça no sistema político criado para dar sustentação ao projeto de poder do PT. O documento deve ser apresentado na próxima terça-feira à Justiça Federal do Paraná, onde tramitam os processos da Lava Jato.

“É um projeto de poder para sustentação do PT. Não há dúvida disso. Vou citar isso na peça, claro. Não tem dúvida. PT e a base aliada como PMDB, PP”, diz o advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto. “Meu cliente foi mera engrenagem. Não era a peça fundamental do esquema”, acrescentou.

Na delação realizada por Youssef no âmbito da operação, ele citou políticos como beneficiários do esquema da Petrobras. Confirmou também a partilha de desvios de contratos com as empreiteiras entre três partidos: PT, PMDB e PP.

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O posicionamento de Figueiredo Basto ocorreu um dia depois de os advogados do empresário Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia, afirmarem em documento entregue à Justiça Federal que a Petrobras foi usada para bancar o “custo alto das campanhas eleitorais” e para financiar a base de apoio do governo federal nos “últimos 12 anos”. O advogado de Youssef ressalta que não há combinação na linha de defesa com outros defensores. “Não há nenhuma harmonia entre as defesas, trabalhamos de forma individual”, afirmou Basto.

Além da apresentação da defesa na próxima semana, os advogados de Youssef preparam um segundo documento para ser apresentado no início de fevereiro para que o doleiro passe a cumprir pena em regime domiciliar. Youssef está preso desde março do ano passado, em Curitiba.

(Com Estadão Conteúdo)