Defesa de Lulinha usa mesmo argumento de Moro para questionar revelações de VEJA
Advogados põem em dúvida veracidade das mensagens, mesmo expediente adotado na "Vaza Jato"; Mendonça manda apurar o vazamento de informações do inquéritos da PF
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, contestou em nota divulgada hoje a veracidade das mensagens constantes de inquéritos da Polícia Federal sobre as suspeitas envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação veio após reportagem exclusiva de VEJA, capa da edição desta semana, mostrar detalhes inéditos sobre as movimentações de Lulinha e seu envolvimento com um grupo de lobistas liderados por Roberta Luchsinger, amiga do filho de Lula, que buscavam conseguir contratos com o governo.
“A defesa, conduzida pelos advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho, contesta a autenticidade das mensagens, dizendo não ser possível até o presente momento conferir a integridade e a higidez da cadeia de custódia dessas supostas provas. Segundo a defesa, não se sabe até o presente momento nem sequer se as mensagens são verdadeiras, se foram tiradas do contexto e se podem ser, portanto, utilizadas para qualquer tipo de conclusão”, afirma trecho da nota.
Os defensores de Lulinha apelam a argumento semelhante ao que o então juiz Sergio Moro e o então procurador Deltan Dallagnol usaram quando vieram à tona os diálogos travados entre o magistrado e o chefe da força-tarefa da Lava-Jato, em episódio que ficou conhecido como “Vaza Jato”. Na época, ambos colocaram em dúvida se as mensagens eram verdadeiras, o que depois foi comprovado pela Polícia Federal e pelos julgamentos ocorridos no Supremo Tribunal Federal. Hoje, nenhum dos dois questiona mais os diálogos.
A linha de defesa de Lulinha contrasta também com a decisão desta sexta-feira, 21, do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o filho de Lula no Supremo, que mandou apurar o vazamento de informações dos inquéritos e cita VEJA como um dos veículos que divulgaram dados do inquérito — a determinação de Mendonça não visa apurar o trabalho jornalístico, mas sim a responsabilidade de servidores que deveriam guardar o sigilo dos materiais.
Arquivamento
Na mesma nota, a defesa de Lulinha volta a defender o fim das investigações, dizendo que “não há envolvimento de autoridade com foro, não há desvio de dinheiro público e nem suspeita de desvio de dinheiro público, não há ato de ofício, e também não há relação direta ou indireta com o INSS”, afirma. Sobre a reportagem de VEJA, a defesa diz que as mensagens publicadas na reportagem “revelam que não houve crime”.







