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Defesa de Lula diz que Palocci mentiu para tentar sair da prisão

Para advogados, ex-ministro repete roteiro de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, que falou o que o MPF queria para fechar acordo de delação e ser solto

Por Da Redação - 6 set 2017, 19h14

A assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que as acusações do ex-ministro Antonio Palocci de que ele sabia do uso de dinheiro de propina da Odebrecht, decorrente de contratos da Petrobras, pelo PT e pelo Instituto Lula são falsas e só podem ser compreendidas como tentativa de se livrar da prisão dizendo o que o Ministério Público Federal deseja. O ex-ministro está preso desde setembro de 2016 em Curitiba.

“A história que Antonio Palocci conta é contraditória em relação a outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e provas e que só se compreende dentro da situação de um homem preso e condenado em outros processos pelo juiz Sergio Moro que busca negociar com o Ministério Público e o próprio juiz um acordo de delação premiada que exige que se justifique acusações falsas e sem provas contra o ex-presidente Lula”, diz nota.

De acordo com a defesa, o ex-ministro repete o que ocorreu com Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, que também confirmou ao MPF que o tríplex do Guarujá estava reservado a Lula e era fruto de propinas por contratos na Petrobras. “Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender, como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena e que, no processo do tríplex, foi de Léo Pinheiro”, afirma.

Para a defesa do petista, a acusação do MPF diz que o terreno, que supostamente seria para o Instituto Lula, mas nunca foi usado, teria sido comprado com dinheiro de propina da Petrobras apenas para que o processo fique com Moro, juiz responsável pela Operação Lava Jato e a quem o petista acusa de parcialidade na condução dos processos contra ele. “A acusação do Ministério Público fala que o terreno teria sido comprado com recursos desviados de contratos da Petrobras –  e só por envolver Petrobras, o caso é julgado no Paraná por Sergio Moro. Não há nada no processo ou no depoimento de Palocci que confirme isso.”

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Sobre a tal “planilha” de dinheiro destinado para o PT, que chegaria a 300 milhões de reais, m a defesa afirma que “mesmo Palocci diz que era um controle interno do Marcelo Odebrecht [ ex-presidente da companhia] e que ‘acha’ que se refere a ele. Ou seja, nem Palocci conhecia a tal planilha, quanto mais Lula.”

Por fim, a defesa afirma que “Palocci falou de uma série de reuniões onde não estava e de outras onde não haveria testemunhas de suas conversas. Todas falas sem provas.”

Imóvel em São Bernardo

Quanto ao apartamento vizinho ao de Lula – que, segundo o MPF, também seria do petista e fruto de propina da Odebrecht -, a defesa  afirma que o “réu Glauco da Costa Marques reafirmou em depoimento ser o proprietário do imóvel vizinho ao da residência do ex-presidente e ter contrato de aluguel com a  família do ex-presidente e que está recebendo o aluguel. Uma relação de locador e locatário não se confunde com propriedade oculta.”

Por fim, a defesa ataca Moro e os investigadores da Lava Jato. “Processos fora da devida jurisdição com juiz de notória parcialidade, sentenças que não apontam nem ato de corrupção nem benefício recebido, negociações secretas de delação com réus presos que mudam versões de depoimento em busca de acordos com o juízo explicitam cada vez mais que os processos contra o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em Curitiba não obedecem o devido processo legal.”

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“O Instituto Lula reafirma que jamais solicitou ou recebeu qualquer terreno da empresa Odebrecht e jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado onde funciona no bairro do Ipiranga em residência adquirida em 1991. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma que jamais cometeu qualquer ilícito nem antes, nem durante, nem depois de exercer dois mandatos de presidente da República eleito pela população brasileira.”

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