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Decisão do STF foi ‘renascimento’ para o governo, diz ministro

Chefe da Casa Civil afirma que julgamento 'esfria' o processo de impeachment, embora não afaste o risco de deposição da presidente

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, recebeu nesta terça-feira jornalistas para um café da manhã em Brasília e falou sobre o julgamento em que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu os ritos do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso. O petista considerou que a decisão da corte representa um “renascimento do governo”. “Sai de perseguido para um governo que ganha certa liberdade para atuar”, afirmou. Para ele, a definição da corte não afastou o impeachment, mas deu uma “pacificada em alguns”.

Wagner afirmou que acredita que o processo será derrubado já na Câmara dos Deputados. “Com voto aberto, acho que impeachment não passa sequer na Câmara”, disse. Para endossar a tese, o ministro usa a contabilidade dos votos do pleito secreto, que elegeu uma chapa de oposição para a composição da comissão especial de impeachment. Apesar de o governo ter sido derrotado, a base conseguiu 199 votos. Para garantir a manutenção da presidente, são necessários 171 votos quando o processo chegar ao plenário.

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O ministro avalia que a votação secreta é um “convite à traição, dos dois lados”, mas que o momento é favorável a Dilma. “Não gosto de falar que está enterrado, mas assim que a Câmara votar, acho que esse impeachment nós enterramos”, aposta. Quanto aos prazos, Wagner entende que são incertos. “Quem faz a pauta é o presidente da Câmara. Mas, para mim, hoje o impeachment está natimorto.”

Ele aproveitou também para provocar a oposição ao dizer que, diante dessa nova situação, os oposicionistas “rapidamente” já passaram a defender o afastamento também do vice-presidente por meio de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Eles não se cansam, agora vão para o TSE. Ao invés de colocar propostas objetivas, poder confrontar o governo com propostas econômicas, agora é o TSE”, alfinetou o ministro, ao citar indiretamente o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a quem chamou sem nominá-lo de “ex-candidato”. “Não dá para ficar 12 meses correndo atrás de um terceiro turno”, completou ele.

Wagner avaliou que, nesse sentido, se está fechando o “ano melhor”. “Não é melhor para a Dilma, mas para o país. Lá fora, passa a noção de credibilidade, de que as instituições funcionam”, considerou.

Jaques Wagner adiantou que a presidente vai reunir ministros no próximo dia 28 para afinar o discurso e traçar a agenda que será apresentada ao Congresso na volta do recesso legislativo em fevereiro. A pauta que, segundo ele, terá três ou quatro eixos, vai incluir a reforma da Previdência, as concessões de portos e aeroportos, a simplificação do sistema tributário e o financiamento de longo prazo, entre outros temas. No caso da reforma da Previdência, a aposta do governo é que a medida terá efeitos a longo prazo, mas dará credibilidade ao governo. “Não terá resultados neste governo, mas precisamos olhar para o futuro, vai dar credibilidade se conseguirmos fazer a reforma, garantir a Previdência para daqui a 15 anos e ter uma regra de transição”.

(Com Estadão Conteúdo)