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De olho nas eleições, DEM quer Demóstenes fora

Novas evidências da ligação entre o senador e Carlinhos Cachoeira não cessam. E movimento no partido quer seu afastamento sumário da legenda

Por Da Redação 30 mar 2012, 08h27

A situação do senador Demóstenes Torres, do DEM, se deteriora dia após dia desde que se descobriu seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Não cessa o aparecimento de novas evidências da intimidade entre o político e o contraventor. E Demóstenes já não tem apoio nem do próprio partido. No DEM, ganha força o movimento pela saída do senador dos quadros da legenda, de forma a impedir que o caso dele siga manchando a imagem da sigla.

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Segundo a edição desta sexta-feira do jornal O Globo, a cúpula do DEM avalia que até mesmo as candidaturas bem avaliadas do partido nas capitais podem sofrer os efeitos da crise envolvendo Demóstenes – e, até mesmo, ficar inviabilizadas – caso o senador não seja afastado sumariamente. “A leitura que se faz é muito ruim. Dizem: se até o Demóstenes, que era o Demóstenes, fez essa barbaridade, imagina o que não vão fazer os outros do DEM? Este caso nos desmoralizou”, afirmou ao jornal um deputado descontente do partido.

Na noite de quinta-feira, a coluna Radar, de VEJA Lauro Jardim, revelou no site de VEJA que Demóstenes abriu as portas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a Cachoeira. Em setembro passado, o senador solicitou ao diretor-presidente do órgão, Dirceu Barbano, uma audiência para tratar de “protocolo de câncer de próstata”. O real teor da conversa, porém, foi a liberação de registros da agência para medicamentos genéricos e similares do laboratório Vitapan, um dos braços de Carlinhos Cachoeira na indústria farmacêutica, localizado na cidade do bicheiro, Anápolis (GO).

Nesta sexta-feira, o jornal O Globo traz a transcrição de novas gravações feitas pela Polícia Federal que indicam que Demóstenes colocou o cargo a serviço do bicheiro. Nas fitas, o senador combina com Cachoeira a interferência em processos judiciais e até mesmo o lobby pela liberação dos jogos de azar pelo Congresso.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu oficialmente na quinta-feira um inquérito contra Demóstenes. O relator do caso, Ricardo Lewandowski, solicitou ao Banco Central (BC) dados de movimentações financeiras do parlamentar. O ministro também deferiu outros três pedidos do procurador-Geral da República, Roberto Gurgel: um pede acesso a informações sobre contratos celebrados por órgãos públicos com empresas privadas – não há detalhes sobre quais são.

Além disso, Lewandowski pediu ao Senado a relação de emendas parlamentares apresentadas pelo senador Demóstenes – o que traz indícios de que os investigadores lançam suspeitas também sobre a aplicação desses recursos pelo senador. Por fim, o ministro do STF solicitou à Polícia Federal a gravação de 19 conversas telefônicas envolvendo Demóstenes.

O senador tem, contudo, um pequeno sopro de alívio: o presidente do Congresso, José Sarney, vai deixa para depois da Páscoa a decisão de abertura de um processo no Conselho de Ética do Senado contra Demóstenes. Isso porque o colegiado está sem presidente desde o ano passado – e a escolha do novo líder ficará para 10 de abril.

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