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De olho na eleição, Castro nomeia ex-preso da Lava Jato no governo do Rio

Governador, que pode ser convocado pela CPI da Pandemia, dá cargo para ex-presidente do Departamento de Trânsito do estado

Por Cássio Bruno Atualizado em 18 jun 2021, 14h57 - Publicado em 18 jun 2021, 12h25

As nomeações na gestão do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), continuam a todo vapor. Na corrida em busca de aliados à reeleição em 2022, Castro, desta vez, deu cargo para Leonardo Silva Jacob, ex-presidente do Departamento de Trânsito do estado (Detran-RJ). O nome de Jacob aparece publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, 18. O novo funcionário é mais um na lista de ex-presos da Operação Lava Jato suspeitos de corrupção convocados por Castro. O outro foi o deputado federal licenciado Vinícius Farah (MDB-RJ), também ex-presidente do Detran-RJ e detido na mesma ação contra Jacob. Hoje, Farah está no primeiro escalão: é secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais.

Leonardo Jacob será chefe de Gabinete exatamente na pasta comandada por Vinícius Farah. Amigos de longa data, os dois chegaram a ficar foragidos. Em novembro de 2018, ambos foram alvos da Operação Furna da Onça, braço da Lava Jato no Rio. A ação foi desencadeada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal para investigar a participação de deputados fluminenses em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada, principalmente no Detran-RJ.

Nas últimas semanas, Castro, que pode ser convocado para prestar depoimento à CPI da Pandemia no Senado, tem feito uma dança das cadeiras nos primeiro, segundo e terceiro escalões do governo fluminense para atrair partidos aliados para as eleições do próximo ano. Um dos principais beneficiados com as movimentações é o clã do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Outras famílias tradicionais da política do Rio, como as dos ex-governadores Sérgio Cabral e Anthony Garotinho e a de Jorge Picciani, ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) e morto após tratar um câncer na bexiga, fazem parte da aliança pré-eleitoral.

Ex-vereador, Castro é investigado pelo Ministério Público por suspeita de ter recebido propina de uma empresa que tinha contratos milionários com o governo. Ele sempre negou as acusações.

De olho na pré-campanha de reeleição, o governador montou um núcleo de conselheiros políticos composto por seis pessoas. São elas: Rodrigo Bethlem (ex-coordenador de campanha do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella e alvo da Operação Ponto Final, em 2017), Indio da Costa (ex-deputado federal e preso em uma operação da Polícia Federal contra um suposto esquema de fraude nos Correios, em 2019), Rodrigo Abel (chefe de gabinete, ex-presidente da Juventude do PT e ex-integrante do grupo político do ex-ministro José Dirceu), Fernando Cezar Hackme (policial civil e assessor) e o deputado federal Altineu Côrtes (presidente regional do PL), além de Rodrigo Bacellar (Solidariedade), secretário de Governo.

Em nota a assessoria de imprensa de Farah afirma que ele e Jacob se apresentaram à PF no mesmo dia da operação. “Por ser absolutamente abusiva, os dois foram soltos após 5 dias. O MP Federal sequer pediu a prorrogação da prisão, dada a fragilidade da acusação, ressaltou.

E continua: “A acusação fala apenas que Vinicius Farah manteve nomeações políticas no Detran depois que virou presidente, em fevereiro de 2017. E que Leonardo teria feito o mesmo nos sete meses em que ocupou o cargo de presidente depois que Farah deixou o órgão para disputar a eleição de deputado, em abril de 2018. O inquérito que deu origem à denúncia data de 2014. Ou seja: data de três anos antes da entrada de ambos no Detran”.

Para encerrar, a nota diz que “o processo está hoje no âmbito da Justiça Eleitoral. Ambos estão absolutamente tranquilos em relação ao seu desfecho. Tanto Vinícius quanto Leonardo têm experiência política e administrativa, com uma trajetória de entregas e grandes realizações, o que os credencia a ocupar os cargos para os quais foram nomeados e onde certamente poderão contribuir para a necessária recuperação do Estado do Rio de Janeiro”.

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