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Cunha ganha tempo para apresentar defesa no petrolão

Zavascki determina que deputado terá até o final de outubro para se manifestar sobre as acusações de que embolsou propina de US$ 5 milhões

Por Laryssa Borges 24 set 2015, 12h40

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ganhou nesta quarta-feira mais tempo para apresentar sua defesa sobre a denúncia em que o Ministério Público o acusa de lavagem de dinheiro e corrupção passiva por supostamente receber dinheiro de propina no escândalo do petrolão. O relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, entendeu que o prazo de 30 dias para que Cunha enviar suas alegações deve começar a contar após a publicação da decisão da corte que ampliou o acesso dos advogados a dados do inquérito.

O problema é que essa decisão do tribunal ainda não foi publicada e o prazo para a entrega da primeira manifestação dos advogados de Cunha no inquérito da Lava Jato venceria nesta semana. Com a nova decisão de Zavascki, o deputado terá até o final de outubro para se manifestar sobre as acusações de que embolsou propina de 5 milhões de dólares no escândalo do petrolão.

As primeiras referências ao envolvimento de Eduardo Cunha no petrolão apareceram em 13 de outubro de 2014, quando o doleiro Alberto Youssef prestou depoimento no acordo de delação premiada e implicou o peemedebista em um esquema de pagamento de dinheiro sujo para viabilizar contratos de empresas privadas com a Petrobras. Segundo o delator, nas negociações para o aluguel de um navio-plataforma da Samsung Heavy Industries para a Petrobras, “foi demandado que Julio Camargo repassasse para o PMDB percentual [de propina] que se destinava a pagamento de vantagem indevida a integrantes do partido PMDB, notadamente o deputado federal Eduardo Cunha”.

Youssef também disse que “diante da paralisação do pagamento das comissões”, Cunha articulou na Câmara dos Deputados a apresentação de pedidos de informações envolvendo a Petrobras, a Mitsui e a Toyo Setal como forma de pressionar Julio Camargo a depositar a propina. As revelações mais contundentes contra o parlamentar, no entanto, foram feitas pelo lobista Julio Camargo, que afirmou que juiz Sergio Moro que pagou propina ao peemedebista por conta de um contrato de navios-sonda com a Petrobras.

Nesta quarta-feira, vieram a público trechos da delação premiada do ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa, que afirmou aos investigadores da Lava Jato que Eduardo Cunha era quem realmente mandava na diretoria da Área Internacional da Petrobras. Em depoimento em acordo de delação, Musa disse que coube ao lobista João Augusto Henriques, preso na 19ª fase da Lava Jato, emplacar o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada na cúpula da petroleira, embora era de Cunha a influência direta sobre a gestão da companhia. “João Augusto Henriques disse ao declarante que conseguiu emplacar Jorge Luiz Zelada para diretor Internacional da Petrobras com o apoio do PMDB de Minas Gerais, mas que dava a palavra final era o deputado federal Eduardo Cunha, do PMDB/RJ”, diz trecho da delação premiada do ex-gerente da Petrobras.

Nesta quinta-feira, Eduardo Cunha voltou a se recusar a comentar a referência a ele na nova delação premiada da Lava Jato. “Não vou virar comentarista de delação. Senão cada dia vamos ficar aqui alimentando fatos que são absolutamente inverídicos”, resumiu.

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