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Cunha e Chinaglia travam guerra por ‘votos no varejo’ na reta final

Rumores sobre acordo de última hora entre Eduardo Cunha e Arlindo Chinaglia esquentam articulações na véspera da eleição

Por Silvio Navarro e Marcela Mattos, de Brasília
31 jan 2015, 14h06

Na véspera da mais acirrada eleição para a presidência da Câmara em dez anos, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) travam uma verdadeira guerra nos bastidores para tentar convencer deputados a traírem as recomendações dos seus partidos na votação secreta. Os principais alvos são os 198 novatos – a maior renovação da história da Casa – que assumirão o primeiro mandato e desembarcaram neste sábado em Brasília para conhecer o Congresso Nacional.

Uma informação contraditória esquentou as articulações neste sábado: aliados de Cunha fizeram circular a notícia de que o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais), o articulador político do Palácio do Planalto, teria proposto um acordo segundo o qual o peemedebista presidira a Câmara nos próximos dois anos, com o compromisso de que Chinaglia o sucederia em 2017.

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A assessoria do ministro Pepe Vargas, no entanto, disse que foi o deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), aliado de Cunha, quem procurou o governo propondo o rodízio. Oficialmente, porém, as duas chapas negam a costura de um acordo e informam que a disputa será resolvida no voto.

“O Eduardo não tem o menor interesse em fazer um revezamento com o PT. Não tem como aceitar um acordo agora. Ele já fez muitos compromissos para mudar os rumos. A partir do momento em que o PT não quis apoiá-lo e lançou candidato, ficou claro que não haveria mais acordo”, disse Sandro Mabel.

Os candidatos a presidente da Câmara dos Deputados
Os candidatos a presidente da Câmara dos Deputados (VEJA)

Pela manhã, Cunha organizou um café da manhã em um hotel de Brasília para os novatos. Repetiu sua promessa de, se eleito, exercer um mandato independente dos interesses do Palácio do Planalto. “Não serei submisso ao governo. Não cometerei estelionato eleitoral, vou cumprir exatamente o que eu preguei na campanha. Terei muita serenidade, mas nada de submissão. Pode esperar de mim muita contundência para defender a independência da Câmara”, disse.

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Chinaglia também passa o dia em reuniões com líderes de partidos. Ele pretende anunciar no final do dia a adesão do PR e do PP, que possuem juntas 72 cadeiras na Casa, o que embolaria numericamente ainda mais a disputa.

Paralelamente, Júlio Delgado (MG), que concorre pelo PSB, oficializou seu bloco formado por PSB-PSDB-PPS-PV.

É intensa a movimentação neste sábado em Brasília. Na Câmara, a direção da Casa organizou um cursinho para os parlamentares recém-chegados, com tour pelo Congresso, palestras e a presença de familiares que acompanharão a cerimônia de posse neste domingo.

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