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Crivella é eleito prefeito do Rio com 59% dos votos

Brancos e nulos chegaram a 20% e as abstenções a 26,8%. O candidato do PRB precisará, agora, conquistar esse apoio para governar

Por Luisa Bustamante Atualizado em 30 out 2016, 19h59 - Publicado em 30 out 2016, 18h38

O novo prefeito do Rio de Janeiro será Marcelo Crivella, do PRB, eleito neste domingo com 59,37% dos votos. Ele venceu Marcelo Freixo, do PSOL, que teve 40,6%. O resultado já vinha sendo antecipado em todas as pesquisas eleitorais no segundo turno, unanimes em mostrar uma vantagem folgada a Crivella. Apenas no último levantamento, divulgado ontem pelo Datafolha, o psolista conseguiu melhorar seu desempenho, mas, ainda assim, não foi o suficiente para mexer no quadro eleitoral. As urnas também revelaram que o governo de Crivella começará com um apoio cambaleante: 26,8% dos cariocas se abstiveram e outros 20% votaram em branco ou nulo, um nítido sinal de insatisfação com as candidaturas concorrentes. O futuro prefeito, sucessor do peemedebista Eduardo Paes, terá como tarefa de partida unificar a cidade e mostrar, como tanto repetiu nos últimos três meses, que não misturará política e religião. Para vencer a disputa, Crivella, que é bispo licenciado da igreja Universal e sobrinho de Edir Macedo, precisou insistir no apoio ao estado laico.

Ele precisará, agora, conquistar parte do eleitorado que não o escolheu nas urnas. Durante a campanha , o bispo licenciado da igreja Universal falou que, em seus quase 15 anos como senador, nunca atuou para favorecer evangélicos. Insistiu que é um “candidato Ficha Limpa”. Prometeu que o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que o apoia, não terá nenhuma participação em sua gestão. Assegurou que vai ouvir a população para administrar a cidade e que terá uma prefeitura transparente. Mas, diante de uma série de polêmicas na reta final da campanha, Crivella optou por faltar a debates e sabatinas com jornalistas e atacou a imprensa em sua propaganda eleitoral.

Com 58 anos, o senador começou a trabalhar aos 14 como auxiliar de escritório. Ficou oito anos no Exército, se formou em engenharia, foi professor universitário, taxista, servidor público, missionário na África “por quase dez anos”. Afirma ser autor de mais de cem obras. Entre elas estão CDs de música Gospel e o livro “Evangelizando a África”, que lhe rendeu dor de cabeça durante a campanha. Até então desconhecido pelo público, o título tem trechos criticando quase todas as religiões, inclusive a igreja Católica. O currículo extenso de Crivella, divulgado em seu site, só não faz menção à Igreja Universal, uma estratégia para tentar se desvincular da imagem de bispo da igreja de seu tio, o bispo Edir Macedo.

Senador desde 2002, Crivella foi ministro da Pesca no governo de Dilma Rousseff (PT), que hoje critica. É casado com Silvia Jane e tem três filhos. Um deles, também Marcelo, o acompanhou de perto durante essa eleição. Foi peça-chave na estratégia de comunicação do pai.

Derrotado nas eleições de 2014 para o governo do estado do Rio de Janeiro, Crivella chegou à disputa de 2016 vacinado contra os ataques a sua ligação com a Universal, tão explorada pela campanha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Ao eleitor, disse ser vítima de preconceito e de complôs da grande mídia e de candidatos adversários. Para se distanciar da imagem de evangélico, defendeu direitos dos homossexuais e das minorias e disse que irá destinar recursos para a Parada LGBT e para o Carnaval. Além disso, afirmou que é contra o ensino religioso nas escolas. Entre suas promessas está a ampliação do saneamento básico nas favelas, a criação de mais vagas em creches e a diminuição de filas na saúde.

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