Críticas do PT a Temer não impedem MDB de ter vice de Lula, diz ex-ministra
Katia Abreu insistiu que emedebista deu golpe de estado em Dilma Rousseff em 2016, mas opina que isso não atrapalha chances de nova aliança
A ex-deputada federal Katia Abreu (PP-GO), que foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff (PT), defendeu que as críticas ao ex-presidente Michel Temer (MDB) feitas por membros do Partido dos Trabalhadores — chamando-o de golpista desde o impeachment da ex-presidente — não vão atrapalhar a aliança que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta firmar com o MDB, colocando alguém do partido como seu vice para as eleições de 2026.
As críticas a Temer voltaram à tona após a escola de samba Acadêmicos de Niterói satirizar o líder emedebista durante o desfile na Marquês de Sapucaí, no Carnaval carioca, ao apresentar o enredo que homenageava Lula. “Dizer que a crítica a Temer vai atrapalhar aliança 2026 do MDB com Lula? Era o que faltava. Lula não é o carnavalesco da escola de Niterói e nem compositor do samba-enredo”, afirmou Katia.
Apesar da posição crítica, a pecuarista que sempre se posicionou ao lado de Lula voltou a defender, assim como os petistas e a escola de samba, que Temer deu um golpe de estado em Dilma. “História não se apaga. Dilma sofreu um golpe, pronto e acabou. Não adianta chorar, tem que pagar o preço”, disse, fazendo menção ao preço a ser pago: a marca histórica no nome de Temer, com referências e críticas negativas a ele em contextos como o do Carnaval. Esta não foi a primeira vez que Temer foi satirizado na Sapucaí: em 2018, a Paraíso do Tuiuti o retratou como um vampiro.
Dizer que a crítica a TEMER vai atrapalhar aliança 2026 do MDB c/Lula ? Era o que faltava. Lula não é o carnavalesco da escola de Niterói e nem compositor do samba enredo. História não se apaga. Dilma sofreu um golpe pronto e acabou. Não adianta chorar. Tem que pagar o preço.
— Kátia Abreu (@KatiaAbreu) February 17, 2026
Atualmente, Katia Abreu está filiada ao Progressistas, após ter sido expulsa do então PMDB em novembro de 2017. Segundo interlocutores do MDB, ela não tem acesso ou influência nas decisões da cúpula do partido.
Em resposta à mais nova sátira de Carnaval, em que foi retratado retirando a faixa presidencial de Dilma, Michel Temer disse que não cobraria “rigor histórico” de um enredo de escola de samba e disse que o Carnaval é o momento para ações desse tipo, mas também não deixou de criticar o governo Lula, afirmando que ele promove “ilusionismo na Esplanada” para manter irresponsabilidade fiscal, juros altos e endividamento público crescente.
“Não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí. A sátira política é parte da tradição do carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida. O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado. Olha o Brasil aí… gente!”, escreveu Temer, dando a entender que não será a favor do MDB na vice de Lula em 2026.
Atualmente, o vice de Lula é Geraldo Alckmin (PSB), mas o petista se esforça para ter o antigo rival tucano no palanque de São Paulo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), na mesma medida em que trabalha para trocar o PSB pelo MDB, garantindo maior quantidade de palanques pelo Brasil, visto que o partido é o segundo maior em número de prefeituras no país.







