‘Crise do petróleo reforça urgência da transição energética’, diz Marina Silva
Ex-ministra do Meio Ambiente afirma que guerra no Irã evidencia riscos da dependência de combustíveis fósseis
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou que a atual crise internacional do petróleo gerada pela guerra no Irã evidencia a necessidade de acelerar a transição energética no Brasil e no mundo. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, a pré-candidata ao Senado por São Paulo avaliou que o cenário global reforça os riscos da dependência de combustíveis fósseis.
Segundo ela, o contexto de instabilidade provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e seus efeitos sobre o abastecimento mundial mostram a vulnerabilidade de economias que concentram sua matriz energética em uma única fonte. “É preciso sair da dependência do uso de combustível fóssil”, disse.
Marina destacou que o tema já vem sendo debatido em fóruns internacionais e defendido pelo governo brasileiro como uma agenda estratégica. Para a ex-ministra, a crise atual traz um alerta concreto sobre a necessidade de diversificação energética.
Ao comentar os impactos econômicos do cenário global, ela afirmou que há um agravamento das tensões não apenas do ponto de vista geopolítico, mas também econômico. Segundo Marina, a volatilidade no setor energético tende a gerar efeitos em cadeia.
A pré-candidata ao Senado avaliou que o Brasil se encontra em posição relativamente mais favorável por ter investido, ao longo de décadas, em alternativas como os biocombustíveis. Ainda assim, ressaltou que essa condição não elimina a necessidade de planejamento de longo prazo.
Para ela, é fundamental estabelecer um “mapa do caminho” que permita ao país reduzir gradualmente sua dependência de fontes fósseis, com foco em inovação e novas tecnologias.
Marina afirmou que a transição energética deve ser encarada como uma oportunidade econômica, e não apenas como uma restrição ambiental. Nesse sentido, defendeu que o Brasil pode se tornar um destino relevante para investimentos em energia limpa.
“Mapa do caminho não é uma restrição pura e simplesmente. É buscar novas trajetórias tecnológicas”, afirmou.
A ex-ministra também destacou que o avanço de novas fontes de energia no cenário internacional exige que o país se posicione estrategicamente para não perder competitividade.







