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Auditor: relatório foi alterado e fala de Bolsonaro foi ‘irresponsável’

Alexandre Marques, do TCU, afirmou à CPI que texto usado por Bolsonaro para apontar suposta 'supernotificação' de mortes era apenas rascunho não conclusivo

Por Da Redação Atualizado em 17 ago 2021, 15h49 - Publicado em 17 ago 2021, 09h18

A CPI da Pandemia ouviu nesta terça-feira, 17, o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. Ele teria elaborado um “estudo paralelo” usado pelo presidente Jair Bolsonaro segundo o qual metade das mortes confirmadas no Brasil por Covid-19 não teria ocorrido.

A convocação de Alexandre Marques foi sugerida pelos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE). O parlamentar sergipano quer “esclarecer os detalhes da participação” do auditor na produção do documento. Em junho, o auditor foi afastado do cargo.

O depoimento

Marques afirmou na CPI que o documento era apenas um rascunho feito com informações públicas do registro civil e não conclusivo. “Era apenas um debate preliminar aberto em equipe para análise colaborativa, mas que foi encerrado.” O auditor afirmou que o documento nunca chegou a ser um relatório oficial do TCU.

O depoente contou que compartilhou o rascunho com seu pai, Ricardo Silva Marques, um militar reformado que conhece Bolsonaro, e que ele teria então repassado o texto ao presidente da República. Bolsonaro usou o documento para apontar uma suposta “supernotificação” de mortes por Covid-19. Depois, admitiu que errou em atribuir ao TCU o relatório, mas manteve sua contestação sem provas sobre o número de óbitos. Marques afirmou na CPI que o discurso do presidente no caso foi “irresponsável”.

O auditor disse ainda que a versão do documento que circulou nas redes sociais, com timbre do TCU, foi “alterada”, já que a versão original era apenas um “rascunho de Word”.

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