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CPI do Cachoeira marca depoimento de ex-diretor da construtora Delta

Parlamentares marcaram depoimento de envolvidos no esquema com o contraventor Carlinhos Cachoeira nos dias 28 e 29 de agosto

A CPI do Cachoeira agendou nesta terça-feira o depoimento do ex-presidente da construtora Delta, o empresário Fernando Cavendish, para o final de agosto. A previsão é que ele seja ouvido nos dias 28 ou 29 de agosto, quando a comissão também tomará o depoimento do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) Luiz Antonio Pagot. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), ainda vai decidir qual dos dois será ouvido primeiro.

Cavendish é suspeito de ter utilizado a empreiteira para repasses, por meio de laranjas, para abastecer o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira em troca de benefícios em obras. A expectativa é que o empresário consiga habeas corpus para permanecer em silêncio durante o interrogatório da CPI – mesma estratégia utilizada na semana passada pela atual e pela ex-mulher do bicheiro no Congresso.

Tanto Cavendish quanto Pagot podem expor práticas recorrentes de empreiteiras: para dificultar o rastreamento de propina, as companhias repassam recursos a laranjas que, por sua vez, os destinam à autoridade corrompida. A Delta firmou nos últimos anos uma série de contratos com o governo federal e com os Estados.

Sob constantes críticas de ineficácia nas investigações, congressistas avaliam mudar os rumos da comissão de inquérito e priorizar acareações entre as testemunhas. “Espero sempre habeas corpus, que são nada mais que demandas para fortalecer do belos e competentes escritórios de defesa constratados pelos depoentes”, disse o presidente da CPI.

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Cachoeira – Mais cedo, a CPI aprovou requerimento para reconvocar o contraventor Carlinhos Cachoeira para novo depoimento no Congresso. Trata-se, no entanto, de um convite protocolar, para quando, segundo o presidente da CPI, “estiver disposto a falar”. Os parlamentares apostam em uma eventual mudança de estratégia da defesa bicheiro, que optaria, ao fim dos trabalhos da CPI, pela delação premiada.

Cachoeira esteve na CPI em 22 de maio, mas recusou-se a falar. Na ocasião, ele prometeu retornar à comissão e contar o que sabe, mas somente depois de prestar depoimento à 11ª Vara da Justiça Federal, em Goiânia. No mês passado, o contraventor finalmente compareceu para a audiência judicial, mas também recusou-se a colaborar. Ainda assim, a CPI pretende tentar novamente ouvir o bicheiro.

A comissão ainda aprovou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, a partir de requerimento do deputado Odair Cunha.

Outros requerimentos – A CPI aprovou também requerimento que convoca o deputado Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) para depor na primeira semana de setembro. Segundo a Polícia Federal, Lereia teria recebido dinheiro de Cachoeira.

Ainda nesta terça, o deputado Maurício Quintela Lessa (PR-AL) defendeu o sobrestamento do requerimento convocando Sandes Júnior (PP-GO), sob o argumento de que não há elementos concretos contra o parlamentar: “Não me parece justo e prudente que você coloque um deputado sentado como interrogado na CPI nessas condições”, disse Lessa.

O deputado Sílvio Costa (PTB-PE) protestou: “Ou convoca os dois ou não convoca nenhum. Até porque as gravações são semelhantes”. Os tucanos não se opuseram à convocação de Lereia: disseram que o parlamentar está disposto a comparecer à CPI.

O presidente da CPI acabou colocando em votação um requerimento que, em vez de convocar Sander Júnior, pede informações ao parlamentar. Se considerar a resposta insatisfatória, a comissão pode voltar a discutir a convocação do parlamentar.