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CPI convoca Perillo e Agnelo, mas livra Cabral

Governadores de Goiás e do DF são suspeitos de ligação com grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. Convocação de Sérgio Cabral foi rejeitada

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges 30 Maio 2012, 15h06

A CPI do Cachoeira aprovou nesta quarta-feira a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), para falar sobre o envolvimento de suas gestões com o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. Já o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), conseguiu escapar da Comissão Parlamentar de Inquérito.

No caso de Perillo, o resultado foi unânime. Já a convocação de Agnelo passou em votação apertada: 15 a 13. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), chegou a votar favoravelmente à convocação do petista, mas inverteu o voto. O requerimento exigindo a ida de Sérgio Cabral à comissão foi derrubado por 17 a 11. Neste caso, até mesmo oposicionistas votaram contra: “O governador do Rio não foi referido no contexto probatório”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Antes das votações, a CPI esteve perto de adiar novamente a apreciação da convocação dos governadores. Partiu do relator Odair Cunha (PT-MG) a proposta injustificável que sugeriu o terceiro adiamento seguido da apreciação dos requerimentos. Houve reação de parte dos integrantes da CPI.

“Estamos discutindo se vamos transformar essa CPI numa farsa. Nós estamos enrolando essa decisão”, afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT). “Temos que assumir a responsabilidade no voto. Faço parte da base, mas não quero saber das confusões entre PSDB e PT”.

Da oposição, veio a garantia de que não haveria acordo: “Acabo de receber uma ligação do governador Marconi Perillo”, informou o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE). “Ele quer vir na próxima reunião. Nós não queremos participar de farsa que coloca para baixo do tapete os problemas dos outros governadores”.

Bloco – A oposição queria uma votação em bloco, aprovando ou rejeitando a convocação dos três governadores de forma conjunta, mas a maioria da CPI decidiu desvincular os pedidos. “Vamos chamar o governador do Rio de janeiro porque ele botou um guardanapo na cabeça e ficou dançando, é isso?”, questionou o senador Humberto Costa (PT-PE), defendendo apenas a convocação de Perillo.

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O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) contestou: “Temos que seguir aquilo que já estava delineado pelo comando dessa CPI, que era convocar de maneira isonômica os três governadores, que têm suspeitas que se avolumam”.

Ainda assim, a maioria dos integrantes da CPI votou para que os requerimentos fossem desmembrados. A ideia era permitir a convocação de Perillo sem que fosse preciso aprovar os requerimentos envolvendo Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral.

Apelo – Nesta terça, Perillo compareceu à CPI e encaminhou pedido para ser ouvido no colegiado ainda que não fosse aprovada sua convocação. O tucano, que aparece nos grampos da Polícia Federal parabenizando o contraventor Carlinhos Cachoeira por seu aniversário, é suspeito de ter colocado autarquias do Executivo goiano à disposição das atividades criminosas do bicheiro.

O governador nega ter relações pessoais com Cachoeira, embora já tenha recebido o contraventor na sede do governo goiano. O tucano também rejeita as acusações de que sua gestão esteja contaminada pelo esquema criminoso do bicheiro. “Há uma escuta onde eu cumprimento o empresário Carlos Cachoeira pelo seu aniversário”, justificou. “Um único telefonema. Não há nenhum envolvimento dele ou de sua organização no governo do estado. Tomamos todas as medidas que eram necessárias ao longo de um ano e cinco meses de governo para combater jogos clandestinos, caça-níqueis.”

Acordos – No início da sessão administrativa da CPI, o presidente do colegiado, Vital do Rêgo, rejeitou que os parlamentares tivessem feito acordos para evitar a convocação dos três governadores. “Sobrevieram, com as inconstâncias e as injustiças de sempre, especulações e aleivosias a respeito de conchavos, acordos, que são impróprias a esta comissão e a esta presidência”, criticou.

Vital do Rêgo disse ainda ser juridicamente possível convocar governadores à CPI sem que isso represente afronta ao pacto federativo. “Estou persuadido de que a convocação de governadores de estado por esta CPMI, para depor sobre fatos que não dizem respeito às atribuições próprias do seu governo, não viola o princípio federativo”, afirmou.

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