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Corrupção e troca de ofensas marcam debate entre Crivella e Paes no Rio

Os candidatos participaram do encontro nesta sexta-feira promovido pela TV Globo e se acusaram de "rouba, mas faz" e "pai da mentira"

Por Cássio Bruno Atualizado em 28 nov 2020, 01h14 - Publicado em 28 nov 2020, 01h03

O debate da TV Globo, o último antes da eleição do próximo domingo, 29, se transformou em um verdadeiro ringue entre os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro: Marcelo Crivella (Republicanos) e Eduardo Paes (DEM). O confronto desta sexta-feira, 27, ficou marcado pelo tema da corrupção. Os dois trocaram ofensas e acusações nos três blocos durante uma hora. De um lado, Crivella, atual prefeito, se esforçou para associar Paes, que ocupou o mesmo cargo entre 2009 e 2016, aos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos presos pela Operação Lava Jato. Cabral e Pezão foram aliados de Paes. Do outro, o ex-prefeito atacou o adversário ao lembrar de aliados de Crivella alvos da Operação Hades, que investiga o chamado “QG da propina” na prefeitura.

Poucas propostas foram discutidas. Houve muitos pedidos de direito de respostas dos dois concorrentes. Crivella não citou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seu aliado, em nenhum momento. Durante a campanha, Bolsonaro só pediu votos para Crivella na reta final do primeiro turno quando, segundo as pesquisas, o prefeito era ameaçado de perder a segunda posição pela candidata Martha Rocha (PDT), aliada do ex-ministro Ciro Gomes, possível adversário de Bolsonaro na eleição de 2022. O presidente optou por não ir às ruas ao lado de Crivella.

No primeiro bloco, Marcelo Crivella partiu logo para cima de Eduardo Paes. “O que aconteceu com Cabral e Pezão vai acontecer com ele. O Eduardo vai ser preso. Falo isso com o coração partido”, disparou o prefeito. “Eduardo Paes rouba, mas faz”, completou.  O atual prefeito do Rio abordou também os Dez Mandamentos, com destaque para o “Não Roubarás”. Paes contra-atacou. O ex-prefeito lembrou da passagem bíblica João 8:44 para falar que Crivella é o “Pai da Mentira” e o chamou de “rei da incompetência”.

Em 8 de setembro, Eduardo Paes sofreu um mandado judicial de busca e apreensão. O ex-prefeito é réu na Justiça Eleitoral. Segundo a denúncia do Ministério Público, Paes teria recebido R$ 10,8 milhões da Odebrecht para financiar sua campanha de reeleição, em 2012, por meio de caixa 2. Dois dias depois, a busca e apreensão ocorreu na residência de Marcelo Crivella por suspeitas de corrupção dentro da prefeitura. Eles sempre negaram qualquer irregularidade.

No segundo bloco, os candidatos deveriam debater temas sugeridos pela TV Globo. A mediação foi realizada pela jornalista Ana Paula Araújo. A discussão sobre diversidade, um dos assuntos sorteados, por exemplo, ficou restrita à ideologia de gênero nas escolas. Paes lembrou que Crivella foi denunciado por falar mentiras sobre o tema. Já Crivella acusou Paes de ter transformado o Rio de Janeiro na “capital do turismo gay”.  Em outros assuntos, como emprego, educação e transporte, os dois voltaram a trocar farpas sobre má gestão de ambos os lados. Crivella disse ainda que o PSOL estaria apoiando o adversário, o que não é verdade. Na resposta, Paes quis associar Marcelo Crivella à Igreja Universal do Reino de Deus, onde o prefeito é bispo licenciado e sobrinho de Edir Macedo.

Apesar de o terceiro bloco ter sido de temas livres, a pandemia do coronavírus ficou no centro do debate. Crivella falou sobre as compras de equipamentos e de suas realizações para enfrentar a doença. Paes voltou a comparar os números de óbitos por Covid-19 entre Rio e São Paulo. Enquanto isso, o atual prefeito negou que tenha havido despreparo na condução do caso. Segundo Crivella, há vagas disponíveis no SUS se houver uma segunda onda.

Na última pergunta, momentos de descontração. Crivella chamou Paes de “Eduardo Cabral”, em referência a Sérgio Cabral. Paes rebateu com “Crivella Witzel” para lembrar do governador afastado Wilson Witzel (PSC). Crivella e Paes poderiam levar para o estúdio apenas um assessor por causa das restrições do combate ao coronavírus. Crivella chegou com Rodrigo Bethlem, seu estrategista de campanha e ex-secretário municipal na gestão de Eduardo Paes. Bethlem deixou o governo por suspeitas de corrupção. Paes estava acompanhado de Marcelo Faullhaber, ex-marqueteiro das campanhas de Crivella e alvo da Operação Hades.

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