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Consultoria analisa atual impacto de Olavo de Carvalho entre bolsonaristas

Segundo analistas, a repercussão dos posts do guru mostra que ele tem pregado para convertidos

Por João Batista Jr. - 20 mar 2020, 16h06

Qual é influência de Olavo de Carvalho entre os apoiadores de Jair Bolsonaro? Após o post do professor de filosofia online na quarta, 18, em que falou de “suicídio político” do presidente, VEJA solicitou a Bites, consultoria de análise de dados para relações governamentais, um levantamento sobre a força de Carvalho em redes sociais. De quarta até sexta, 20, foram feitas 26,1 mil menções a Olavo de Carvalho no Twitter. Não é muito, segundo a consultoria, o que, ainda segundo a análise, confirma a tese de que ele tem falado só para seus seguidores habituais. Ou seja, prega para convertidos.

As críticas feitas por Carvalho a Bolsonaro no Facebook são ambíguas, de acordo com a análise. “Ele critica com contundência, porém dá a entender que o erro do presidente tem sido justamente não aprofundar a disputa ideológica”, explica André Eler, gerente de relações governamentais da Bites. “O guru insinua deixar o barco enquanto a popularidade do presidente derrete, mas deixa aberta a possibilidade de voltar.” Isso explica a estratégia de, embora critique Bolsonaro, Olavo de Carvalho endossa o tom estridente de Eduardo Bolsonaro. Em outras palavras, bate no pai enquanto acaricia o filho.

A crise entre ativistas e bolsonaristas deixa portas abertas, com a esperança de Olavo influenciar a família Bolsonaro a radicalizar o discurso e as ações. A prova disso é que olavistas defendem as falas de Eduardo contra a China. Olavo critica gente do PSL pró-China desde a viagem à China no início do ano passado.

Entre os alunos de Olavo que ironizaram o post do agora ex-líder, estão Rodrigo Constantino e MBL Brasil — que tem entre seus quadros antigos adeptos do guru. De todo modo, em uma sociedade polarizada, o mesmo discurso ambíguo de Olavo de Carvalho ainda favorece que defensores do governo continuem prestando honras ao guru. Exemplos: Bernardo Kuster e Allan dos Santos. Nando Moura, Lobão e Danilo Gentili há tempos já racharam com o olavismo mais radical, aprofundaram as críticas ao filósofo.

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