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Construtora usou nota fria para dar propina a ex-tesoureiro do PT

O advogado Alexandre Romano, o Chambinho, emitiu notas fiscais frias para o Grupo Schahin entregar 224 mil reais para Paulo Ferreira

Por Hugo Marques Atualizado em 9 fev 2017, 18h22 - Publicado em 9 fev 2017, 17h33

José Antonio Marsilio Schwarz, ex-funcionário do Grupo Schahin, fez uma delação premiada na Operação Lava-Jato e contou como pagou “contribuição paralela” para Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT que saiu da prisão no início do mês. Schwarz entregou à força-tarefa da Lava-Jato até as cópias das notas fiscais utilizadas para disfarçar o esquema. O dinheiro era parte da propina que o Grupo Schahin pagava ao PT por obras que tocava para a Petrobras.

Schwarz contou em seu depoimento no dia 31 de janeiro último que Paulo Ferreira procurou a Schahin em torno de março de 2010, pedindo “contribuição paralela” para sua campanha de deputado federal, pelo Rio Grande do Sul. Dez dias após a conversa, Milton Schahin, um dos donos do grupo, concordou com uma contribuição de 200 mil reais. Para disfarçar o caixa dois, ficou combinado que o pagamento seria feito por intermédio do escritório Oliveira Romano Sociedade de Advogados, de Alexandre Romano, o Chambinho, o mesmo que participou de uma fraude nos empréstimos consignados do Ministério do Planejamento, que beneficiou o ex-ministro Paulo Bernardo e a mulher dele, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

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Uma das notas fiscais frias usadas para pagar propina

Chambinho emitiu cinco notas fiscais no valor de 74.698,22 reais cada uma. Foram realizados pagamentos de três dessas notas (224 mil reais, ao todo). Dois meses após o pagamento, conta o delator, Milton Schahin pediu a ele que entrasse em contato com o ex-tesoureiro João Vaccari Neto para falar a respeito das doações, “tendo em vista que estavam em andamento algumas obras da Schahin com o Governo Federal”. Schwarz disse em depoimento que falou com João Vaccari que a Schahin havia feito as doações para Paulo Ferreira e que o grupo entendia que esse pagamento seria considerado “como parte das contribuições frequentes que eram feitas ao Partidos dos Trabalhadores”. Segundo ele, Vaccari “anuiu com essa situação”.

 

Em outro depoimento, no último dia 6, Schwarz disse que Milton Schahin estabeleceu um acordo de pagamentos indevidos com João Vaccari Neto. “Por esse acordo, a Schahin faria pagamentos de percentuais calculados a partir de algumas obras que a empresa tinha com a Petrobras”. Ele conta mais: “Como o Partido dos Trabalhadores estava no poder, para manter uma boa relação com o governo e evitar que os contratos da empresa com a Petrobras fossem prejudicados, Milton Schahin assumiu o compromisso de fazer essas contribuições indevidas”. Paulo Ferreira admitiu para o juiz Sérgio Moro que recebeu “recursos informais”.

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