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Conselheiro recua e Comissão de Ética abre processo contra Geddel

Por meio de seu porta-voz, presidente Michel Temer disse que o ministro da Secretaria de Governo permanecerá no cargo apesar das acusações de Marcelo Calero

Por Da redação - Atualizado em 21 Nov 2016, 19h10 - Publicado em 21 Nov 2016, 18h50

A Comissão de Ética da Presidência da República abriu por unanimidade, nesta segunda-feira, procedimento investigativo para apurar se o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, violou a legislação no caso que resultou na demissão do agora ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.  Indicado ao cargo pelo próprio Geddel, o conselheiro José Saraiva recuou do pedido de vista que havia solicitado pela manhã e apresentou voto pela instauração de inquérito. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo na edição do último sábado, Calero afirmou que Geddel o pressionou em mais de uma ocasião para liberar uma obra embargada em Salvador, onde o peemedebista tem um apartamento. 

Na mesma tarde, o presidente Michel Temer afirmou por meio de seu porta-voz, Alexandre Parola, que o ministro permanecerá no cargo. “Em primeiro lugar, o Ministro Geddel Vieira Lima continua à frente da Secretária-Geral da Presidência”, disse o porta-voz, confundindo o cargo de Geddel. “O Presidente Michel Temer ressalta, adicionalmente, que todas as decisões sob responsabilidade do Ministério da Cultura são e serão encaminhadas e tratadas estritamente por critérios técnicos, respeitados todos os marcos legais e preservada a autonomia decisória dos órgãos que o integram, tal como ocorreu no episódio de Salvador”, afirmou o porta-voz.

O presidente do colegiado, Mauro Menezes, afirmou que o conselheiro Saraiva, “em um gesto de boa vontade”, mudou de ideia porque não queria atrapalhar o processo. Geddel já foi informado da decisão. “O ministro terá dez dias para se manifestar perante a comissão”, disse Menezes.

Saraiva foi indicado por Geddel para o cargo e tomou posse em setembro deste ano, já na gestão de Michel Temer. Sua nomeação foi assinada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PMDB-RJ), que estava no exercício da Presidência da República, após pedido do ministro da Secretaria de Governo, que é seu amigo. Questionado se poderia haver algum tipo de suspeição na conduta de Saraiva, Menezes afirmou que tem “confiança que conselheiros agem com absoluta autonomia”. Ele mencionou ainda que o relator do caso será designado até esta terça-feira.

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(Com Estadão Conteúdo) 

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