Clique e assine a partir de 9,90/mês

Congresso vai apurar dossiê contra Mandetta e pode convocar Braga Netto

Presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência diz que Casa Civil do governo precisa prestar esclarecimentos sobre o caso

Por Thiago Bronzatto - Atualizado em 16 abr 2020, 13h58 - Publicado em 16 abr 2020, 13h47

Após VEJA revelar que o Planalto prepara um dossiê contra o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, afirmou que irá pedir esclarecimentos ao governo. “Vou fazer um requerimento de informações para o governo explicar em que circunstâncias esse dossiê foi produzido. Depois dessa resposta, posso até convocar o general Braga Netto (ministro-chefe da Casa Civil)”, disse o parlamentar. “O executivo tem o dever de levantar informações e governar o país, mas não utilizar a sua estrutura para atingir adversários”, afirmou.

Nos últimos dias, o comitê de crise criado no Palácio do Planalto para enfrentar a pandemia, comandando pelo general, destacou alguns servidores para levantar informações que podem comprometer Mandetta e alguns de seus auxiliares. A equipe, formada por espiões da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e militares do Exército, investiga irregularidades e falhas de gestão no ministério da Saúde.

Conterrâneo de Mandetta, o senador critica a forma como o presidente Jair Bolsonaro tem conduzido a situação. “O processo de fritura já passou. Agora, estão assando o Mandetta”, diz Trad. E, ao que tudo indica, a estratégia do governo deu certo. O parlamentar conta que o ministro da Saúde está esgotado. “Ele tem trabalhado intensamente. Em uma de nossas últimas conversas, ele disse que estava exausto e queria descansar, porque não aguentava mais a pressão que estava sofrendo”, afirmou o senador.

Para Trad, a demissão de Mandetta representará uma nova frente de problemas políticos para Bolsonaro. “Deputados e senadores são contra a saída do ministro da Saúde. Isso pode prejudicar o andamento das pautas do governo no Congresso”, adverte o parlamentar.

Publicidade