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Congresso deve instalar comissão sobre mudanças climáticas nesta terça

Exposição internacional de queimadas na Amazônia motivaram criação do grupo misto permanente, anunciado pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciou em nota o objetivo de instalar, nesta terça-feira 27, a Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas, que será composta tanto por senadores quanto deputados com o objetivo de discutir pautas ambientais, especialmente o avanço das queimadas na região amazônica.

“Como presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, externo a preocupação de todos os parlamentares com as queimadas que atingem a Amazônia nos últimos dias. O nosso sentimento é de que este assunto merece uma atenção diferenciada para que possamos apresentar ao Brasil e ao mundo soluções efetivas”, declarou Alcolumbre na última semana.

A presidência da comissão ficará com o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e o relator será um deputado, ainda não definido. 

Na noite desta segunda-feira, o Palácio do Planalto se posicionou oficialmente contra aceitar doação de 20 milhões de dólares, equivalentes a cerca de 83 milhões de reais, oferecidos pelo G7, o grupo que reúne as sete maiores economias do mundo, para combater queimadas na Amazônia. Sobre o assunto, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou que a colaboração seria “importante”, mas que ações do governo federal contra o desmatamento florestal não dependem de ajuda estrangeira.

Salles reconheceu também que há um aumento do desmatamento nos últimos anos, mas apresentou questões climáticas como um dos motivos para o crescimento de queimadas, comparando dados com outros anos pouco chuvosos. O ministro salientou o desafio de se desenvolver economicamente a região com práticas sustentáveis.

Recentemente, em meio a críticas internacionais sobre as ações ambientais do governo brasileiro, organizações do setor empresarial se posicionaram sobre o tema. “No Brasil, temos 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas comumente cultivadas em terras antes degradadas”, disse a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) em carta aberta divulgada na última sexta-feira por Paulo Hartung, presidente da entidade.

“Acreditamos no potencial de desenvolvimento da região [Amazônica] e do seu povo com modelos econômicos sustentáveis que não dependam da alteração da cobertura florestal”, afirma o documento. Segundo a Ibá, para cada 1 hectare plantado com árvores para fins industriais, outro 0,7 hectare é conservado. A entidade aponta 5,6 milhões de hectares de áreas naturais protegidas, superando o exigido pela regulamentação nacional. “Estima-se que o estoque de CO2 equivalente do segmento, incluindo área cultivada e conservada, seja de 4,2 bilhões de toneladas.”

Nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a se reunir com ministros para tratar dos incêndios na floresta. Após a conversa com o presidente, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, disse que a situação na Amazônia está controlada e que cerca de 2.700 militares das Forças Armadas estão prontos para atuar na região.

Ainda nesta segunda, o governo teve novo embate com o presidente da França, Emmanuel Macron, que falou sobre conferir status internacional à floresta. “Sobre a Amazônia falam brasileiros e as Forças Armadas”, rebateu o porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Senado)