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Condenada pela Lava Jato, doleira debocha nas redes sociais

Nelma Kodama posta vídeos ironizando sua vida com tornozeleira eletrônica, sua relação com o também doleiro Alberto Youssef e a própria operação

Condenada a 14 anos de prisão no âmbito da Lava Jato por lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas e corrupção ativa, a doleira Nelma Kodama quer ganhar holofotes, mesmo com uma tornozeleira na perna direita. Desde que foi solta por Sergio Moro, há seis meses, Nelma tem usado as redes sociais para mostrar como é sua vida de ex-detenta. No dia 13 de setembro, quando saía da 12ª Vara Federal, em Curitiba, registrou em vídeo uma situação insólita. Ao chamar um Uber para seguir do fórum para o aeroporto, a doleira se deparou com um velho amigo dirigindo o carro, José Luiz Boldrini, que atuou com o doleiro Alberto Youssef, ex-namorado de Nelma. Boldrini era comparsa de Youssef e chegou a ser condenado junto com ele por Moro por envolvimento em uma organização criminosa que causou um rombo de 2,5 bilhões de reais no Banestado, no final da década de 2000. “Que mundo pequeno esse, né? De onde você conhece o Youssef?”, questiona ela no vídeo. “Trabalhei com ele no Banestado e em sua empresa, a Vox Telecom”, responde Boldrini. No final, ele ainda manda um recado para Youssef: “Betão, me procura, cara. Não sei se você já pode sair. Quando vier a Curitiba, me dá uma ligada”.

Nelma teve um relacionamento com Youssef por nove anos e diz que em boa parte desse tempo alternava o status entre amante e namorada do doleiro. “Ele foi o amor da minha vida. Não posso ser só amante porque a mulher dele sabia de nós dois”, defende-se. No entanto, em maio de 2015, quando foi depor na CPI da Petrobras, no Congresso, um parlamentar quis saber o que ela era de Youssef. Respondeu cantando trechos da canção Amada Amante, de Roberto Carlos. O vídeo viralizou nas redes sociais. Em entrevista a VEJA, Nelma assume que tem uma história “mal resolvida” com Youssef.

Em agosto, Nelma o encontrou casualmente dentro de um restaurante de comida por quilo, no bairro Vila Nova Conceição, zona Sul de São Paulo. “Eu estava sentada à mesa almoçando, quando ele passou na calçada e me viu pela janela. Entrou, mas eu gritei: ‘Não se aproxime!’. Ele recuou, deu uma risada e saiu. Imagina se o pessoal lá de Curitiba nos visse pelo sistema de tornozeleira que estávamos perto um do outro”, relatou. No vídeo em que conversa com Boldrini, Nelma ainda pergunta a ele se Youssef deveria voltar para a ex-mulher, Joana D’Arc da Silva; para a modelo Taiana Camargo, que fez um ensaio nu com dólares na calcinha; ou com a própria Nelma. Ele não responde, mas deixa claro que Nelma é a mais bonita das três.

Foi em 2000 que Nelma conheceu Youssef. Ao seu lado, a doleira fez tantos negócios ilícitos e dividiu tantos segredos, que acabou virando sua amante, companheira, parceira e cúmplice em uma série de crimes. Quando ele quis colocar um ponto final na relação, Nelma não aceitou e contratou um advogado com o intuito de convencer a Justiça a transformar a relação extraconjugal que eles mantinham em união estável. A ideia era ficar com metade dos bens do doleiro e ainda conseguir uma pensão alimentícia milionária. Os advogados de Nelma não levaram a ação adiante. Desde então, ela passou a cobrar no mundo do câmbio negro uma dívida de 20 milhões de dólares que Youssef teria com ela. “Ele foi o que aconteceu de melhor e pior em minha vida”, define. No auge do romance, relata ela, Youssef, que morava em Londrina, ligava cerca de 30 vezes durante o expediente dizendo que a amava. “Mas achava ele um homem feio, malvestido e cafona, porque carregava uma pasta tipo 007. Mas, depois, enxerguei nele o amor da minha vida”, recorda-se.

Ainda no vídeo, Nelma pergunta a Boldrini qual a opinião dele sobre essa “tal de Lava Jato”. “Doleiro não tem culpa de nada. Só fez o transporte do negócio. Quem roubou, quem fez a malandragem foram os políticos. Esses têm mais é que se ferrar”, opina ele. Em outros vídeos postados em suas redes sociais, Nelma chega a tirar sarro de si. Ao entrar em uma farmácia à noite com o seu cachorro, diz que foi vigiada de perto pelo segurança. “Daqui a pouco, o gerente vai perguntar se eu sou assaltante. Gente, eu tenho cara de criminosa? É claro que não!”, responde. Em seguida, diz que vai virar abóbora às dez da noite, ou seja, tem que ir para casa, pois pelas regras do regime aberto que cumpre, só pode ficar na rua das 6h às 22h. Em um outro vídeo que ela postou e apagou por achar que passou dos limites, a doleira caminha na rua quando vê um carro da polícia passando com a sirene aos berros. “Gente, já me descobriram aqui?”, brinca. A doleira promete gravar um vídeo só para explicar como conseguiu esconder na calcinha 200 mil euros, razão pela qual foi presa em 2014.

Veja um vídeo da doleira:

 

Comentários

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  1. Osmar Serrragem

    99% dos brasileiros nunca entrou em uma Delegacia de Polícia, a não ser para registrar um roubo ou assalto…Criminosos? Que se lasquem…

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  2. Osmar Serrragem

    Dezenas de milhões de brasileiros tiveram seu futuro comprometido por estes ladrões canalhas sem escrúpulos. Perderam seus empregos e até se mudaram do país. Esta digníssima senhora que se cale!

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  3. Nós, brasileiros, somos um povo muito pacífico. Enquanto usufruem do dinheiro roubado, esses bandidos ainda debocham da gente. Eu acho que nós deveríamos deixar de ser tão passivos e começar a tratar essa corja de corruptos e corruptores de outra forma. Do jeito que está, todo mundo tem certeza de que o crime realmente compenssa no nosso país.

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  4. *compensa

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  5. Pelo pouco que entendi, esta senhorita Nelma segue um costume surgido com certa frequência: o deboche diante da impunidade ou flexibilidade judiciária. Sinto-me envergonhado do Sistema (principalmente judicial) quando me deparo com esse tipo de acontecimento.

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