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“Como médico, me sinto derrotado”, diz Rogério Tuma

Médico, filho de Romeu Tuma se emociona ao relembrar a morte do pai

O neurologista Rogério Tuma, filho do senador Romeu Tuma, que morreu nesta terça-feira, concedeu entrevista coletiva à imprensa na tarde desta terça-feira no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Rogério era o chefe da equipe que tratava o senador desde 1º de setembro. “Como médico, me sinto derrotado, pois não consegui fazer o que queria para o meu pai”, disse emocionado.

Romeu Tuma deu entrada no hospital com faringite e desidratado, o que, posteriormente, provocou uma insuficiência renal. De acordo com o médico, a sobrecarga de água feita para corrigir o problema anterior fez com que o coração do senador começasse a falhar. Por isso, no dia 1º de outubro, Romeu Tuma recebeu um coração artificial. Ele ficou consciente até o fim de setembro, quando foi sedado para a cirurgia. “Não tivemos um contato muito sólido e quando ele estava recuperando a consciência, há três dias, o quadro piorou”, comentou Rogério. O senador morreu por falência múltipla dos órgãos.

O senador Romeu Tuma já apresentava problemas cardíacos desde a época em que sofreu um infarto, no plenário do Senado, há doze anos. Na ocasião, ele recebeu três pontes de safena.

Garra – O filho de Tuma explicou que o pai havia apresentado problemas de saúde dias antes da internação. Mas, como estava em campanha eleitoral pela reeleição, recusou-se a fazer exames. “Ele veio para o hospital sem saber que seria internado e eu o fiz ficar. Ele queria muito trabalhar e fazer sua campanha. Foi um período de muita garra e coragem. Até ontem, percebemos que ele estava lutando”, completou. O médico disse que não teve coragem de contar o resultado das eleições para o pai, mas disse estar agradecido pelos 5 milhões de votos que o senador recebeu. “Ninguém votou nele para ele ser eleito. Provavelmente, foi uma manifestação de desejo de sua melhora”, ressaltou.

O neurologista relatou um pouco da trajetória do pai, que, segundo ele, tinha respeito de amigos e adversários. “Mesmo sendo uma força policial, ninguém tinha medo de chegar perto dele. Ele nunca perdia a paciência e a tolerância; ele sempre suave, até com os bandidos”, comentou o filho.

O corpo de Romeu Tuma será velado às 18h na Assembléia Legislativa de São Paulo e enterrado no cemitério de São Paulo às 15h desta quarta-feira.