Como André Mendonça tenta evitar que o julgamento sobre Moraes-Vorcaro seja interrompido
Editora de VEJA diz que ministro distribuiu HDs aos gabinetes do STF para antecipar análise do material do caso Master
André Mendonça se movimentou para tentar impedir que a sessão do Supremo Tribunal Federal sobre a investigação que alcança Alexandre de Moraes seja interrompida antes de uma definição. Segundo a editora de VEJA Laryssa Borges, o ministro distribuiu HDs aos gabinetes dos integrantes da Corte com o material das investigações do Banco Master, numa tentativa de permitir que os colegas analisem previamente os documentos e reduzir a possibilidade de um pedido de vista paralisar o julgamento. A sessão, marcada para terça-feira, às 10 horas, é descrita por Laryssa como o ponto de chegada de um “jogo de xadrez cerebral e de alta tensão” dentro do Supremo (este texto é um resumo do vídeo acima).
No programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz e com participação dos também editores Robson Bonin e José Benedito da Silva, a crise foi apresentada como resultado de uma sucessão de movimentos e contra-ataques envolvendo integrantes da Corte. Mendonça passou a conduzir o caso depois da saída de Dias Toffoli da relatoria e, posteriormente, pediu autorização para investigar Moraes diante dos elementos mencionados no programa. Moraes, por sua vez, questionou a atuação de Mendonça e pediu que a conduta do colega também fosse apurada.
Como Mendonça tenta evitar um pedido de vista?
Segundo Laryssa, essa é uma preocupação específica do ministro para a sessão. “Ele tem uma preocupação, que é não permitir que a sessão plenária de terça-feira seja interrompida por qualquer tipo de argumento”, afirmou.
Foi nesse contexto, segundo a editora, que Mendonça distribuiu HDs para todos os gabinetes dos ministros. O objetivo seria permitir que eles passassem os dias anteriores ao julgamento examinando o que as investigações do Banco Master haviam reunido até aquele momento.
A estratégia procura antecipar uma das justificativas que poderiam ser utilizadas para interromper a análise: a necessidade de mais tempo para conhecer o material. Ainda assim, Laryssa relatou novos movimentos dentro do tribunal que podem ampliar as questões submetidas ao plenário e tornar a sessão mais complexa.
Quais movimentos podem complicar o julgamento?
Laryssa atribuiu à ala que classificou como “mais política” do STF, formada por Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes, iniciativas destinadas a criar novas discussões para a sessão e que poderiam eventualmente impedir a conclusão do julgamento.
A editora citou como exemplos as movimentações de Moraes e Zanin para obter acesso a um conjunto mais amplo de informações. Segundo ela, Moraes reivindicou a integralidade do material, enquanto Zanin pediu acesso ao acervo do celular mencionado nas investigações. “Então ficam tumultos que a gente ainda não sabe onde vai dar”, afirmou Laryssa.
A sociedade poderá acompanhar a sessão?
Outra indefinição apontada pela editora envolve a publicidade do julgamento. Segundo Laryssa, o Supremo informou que jornalistas previamente cadastrados teriam acesso à sessão, mas ainda não havia confirmado, no momento do programa, se os debates seriam disponibilizados para acompanhamento de toda a sociedade.
Mendonça, de acordo com a editora, defende que a sessão possa ser acompanhada publicamente. A expectativa em torno do encontro é elevada justamente porque ele deverá colocar no mesmo plenário ministros envolvidos em uma disputa que se intensificou com decisões, acusações e questionamentos recíprocos.
O governo tentou construir uma saída para a crise?
Laryssa revelou ainda um movimento de bastidor do governo em direção ao Supremo. Segundo ela, Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, procurou integrantes da Corte durante a crise para discutir a necessidade de uma resposta.
De acordo com o relato da editora, a mensagem transmitida foi a de que o governo poderia “estender a mão” ao Supremo, mas que Moraes também precisaria apresentar algum sinal ou explicação pública sobre as mensagens discutidas no programa.
Laryssa resumiu a conversa como uma espécie de “me ajuda a te ajudar”. Segundo ela, como Moraes não foi a público explicar o episódio, a articulação não produziu “grandes frutos nem grandes desdobramentos”.
Por que o Planalto teme o efeito eleitoral da crise?
A preocupação política aparece também, segundo Laryssa, na postura de Lula. A editora afirmou que o presidente havia sido aconselhado a evitar personalizar a crise em Moraes ou Mendonça, mas posteriormente declarou que Moraes deveria responder por seus atos caso fosse responsabilizado.
Para Laryssa, o movimento revela que a crise do Supremo já é observada também por suas possíveis consequências na disputa eleitoral. “Isso reflete muito o temor eleitoral que paira sobre essa crise no Supremo. Todo mundo está de olho nisso”, afirmou.
A sessão, portanto, chega cercada por duas disputas simultâneas. Enquanto Mendonça tenta reduzir as possibilidades de interrupção antecipando aos colegas o material das investigações, outros ministros ampliam suas demandas sobre os documentos que pretendem analisar. No entorno da Corte, segundo Laryssa, o governo acompanha a escalada preocupado com seus efeitos políticos.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







