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Comissão do Senado ouvirá Orlando Silva

Ministro também falará nesta terça-feira à Câmara dos Deputados

Por Gabriel Castro - 18 out 2011, 11h00

A Comissão de Fiscalização e Controle do Senado aprovou nesta terça-feira um convite para que o ministro do Esporte, Orlando Silva, explique as revelações feitas por VEJA sobre o funcionamento de um esquema de corrupção na pasta. Como tem ocorrido por orientação do governo nos últimos escândalos, a base aliada concordou com o pedido.

Na tarde desta terça, Orlando Silva falará em uma reunião conjunta das comissões de Esporte e de Fiscalização Financeira da Câmara. A tática adotada desde o início por Orlando Silva é procurar a imprensa e falar à exaustão – ao contrário do que fizeram os ex-ministros Antonio Palocci, Pedro Novais e Alfredo Nascimento antes de cair.

Esquema – A edição de VEJA que chegou às bancas neste sábado mostra como João Dias Ferreira, policial e militante do PC do B em Brasília, acusa Orlando Silva de coordenar um esquema milionário de desvios em convênios com Organizações não-governamentais (ONGs). Para receber o valor a que tinham direito, as entidades precisavam pagar 20% do valor em questão a integrantes da pasta.

João Dias, que chegou a ser preso durante uma operação que descobriu desvios no ministério durante o governo Lula, também acusa Orlando Silva de ter recebido uma caixa repleta de dinheiro vivo, originário do esquema. A maior parte dos recursos desviados teria sido usada para cobrir gastos de campanha do PC do B – inclusive despesas com a coalização que, em 2006, levou Luiz Inácio Lula da Silva ao poder.

Apesar de sua assessoria ter sido procurada na quinta-feira por VEJA, só após o fechamento da revista, na noite de sexta-feira, é que Orlando Silva fez contato com a reportagem.

O ministro se disse “chocado”. Afirmou que sabia das ameaças do policial há algum tempo. “Durante um ano esse sujeito procurou gente do ministério e fez ameaça, insinuação. E qual foi a nossa posição? Amigo, denuncie, fale o que você quiser. Por quê? Porque como nós temos convicção de que o que foi feito foi o correto, nós não tememos. E falávamos para ele: não nos interessa. Ele falava que existia um dossiê, que ia denunciar… A resposta era: faça, procure o Ministério Público, a polícia, a justiça, faça o que você quiser fazer”, afirmou.

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