Com falas antigas de Jair, Flávio apela para memória do pai preso em primeiro ato de campanha
Senador usou áudio de falas antigas do pai e apelou para o legado de seu principal cabo eleitoral, preso por trama golpista
O senador Flávio Bolsonaro (PL) apelou ao legado do pai no primeiro ato oficial da campanha, neste domingo, 16, na Praia de Copacabana, no Rio, berço do bolsonarismo. O evento que dá o pontapé na candidatura reedita o formato das manifestações convocadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu maior cabo eleitoral, mesmo impedido de participar da eleição por estar em prisão domiciliar para cumprir a condenação na trama golpista.
Áudios antigos do ex-presidente foram colocados para tocar nas caixas de som mais de uma vez ao longo do evento. Flávio dedicou um desses momentos ao pai, que segundo ele assistiu ao ato pela televisão, e puxou gritos de “Volta, Bolsonaro”. “Eu te amo, pai”, declarou-se.
O filho do ex-presidente procurou apresentar-se como a continuidade do projeto político do ex-presidente, o que deve ser o norte de sua campanha. “Não dá para comparar o filho do Pelé com o Pelé, mas eu aceitei essa missão”, disse. Os publicitários avaliam que Bolsonaro é quem tem os votos da direita e que, por isso, é preciso trazê-lo para os discursos e propagandas.
Até os slogans “Deus, pátria, família e liberdade” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” foram usados no evento. “Bolsonaro nunca foi ameaça para a democracia. Pelo contrário. Nós somos o último obstáculo para que esse país não virasse uma ditadura”, disse o senador. “O Brasil vai vencer porque eu vou indicar quatro ministros do STF. Homens e mulheres que serão contra o aborto, contra as drogas, que não vão perseguir adversários políticos e vão respeitar a Constituição”, completou.
Sob drones que sobrevoavam a avenida Atlântica, bandeiras do Brasil – e algumas dos Estados Unidos – tremulavam nas mãos de apoiadores vestidos de verde e amarelo. O hino nacional embalou o evento assim como uma miríade de jingles para todos os gostos – do funk e do sertanejo ao rap. A participação dos bolsonaristas, no entanto, foi bem mais modesta do que aquela vista nos atos liderados pelo pai na orla de Copacabana.
Flávio reuniu-se com os aliados em um hotel na avenida Atlântica por volta das 9h30 e, cerca de duas horas depois, subiu no trio elétrico de mãos dadas com a esposa, Fernanda, sob forte escolta e vestindo colete à prova de balas embaixo da camiseta do verde e amarela. Fernanda falou brevemente em um aceno às mulheres, um dos segmentos que mais resiste ao senador. “Com Flávio Bolsonaro, as mulheres vão ter mais oportunidades, vão ter mais segurança e quando as mulheres vencem a família inteira vence”, afirmou a dentista.
O senador também sinalizou os pilares que pretende explorar na campanha: segurança, economia e corrupção. “Eu vou tratar PCC, Comando Vermelho e milícia como organizações terroristas”, prometeu Flávio, que em seguida falou do endividamento das famílias e dos escândalos do Petrolão, Mensalão e das fraudes no INSS.
Flávio comprometeu-se com uma lista de pautas controversas: redução da maioridade penal, castração química de estupradores, voucher para creches privadas e mudança do currículo escolar.
O deputado Carlos Jordy (PL), candidato ao Senado, pediu votos para acabar com a “ditadura do Judiciário”. “Eles podem muito, mas não podem tudo”, bradou. Entre os apoiadores, os apelos eram mais exaltados: alguns pediam, da multidão, a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do presidente Lula (PT). Gritos de “Lula ladrão seu lugar é na prisão” foram puxados pela militância.







