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Com Dirceu sob holofotes e sem Marta, PT lança Haddad

Ex-ministro chamou atenção no encontro petista em SP. Suplicy passou todo o tempo à procura de Marta, mas senadora, escanteada por Lula, não apareceu

Por Thais Arbex - 2 jun 2012, 16h20

Suplicy mandou um SMS para Marta: “Você está sendo fortemente aguardada. Abraços, Eduardo”. A senadora não respondeu

A cúpula do PT já estava acomodada para o evento em que lançaria a candidatura do ex-ministro da Educação Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Mais de vinte petistas – entre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu afilhado político Haddad e os ministros Miriam Belchior (Planejamento), José Eduardo Cardozo (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Educação) – ocupavam seus lugares na mesa quando ele chegou. O presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, discursava.

Dez minutos depois de ter sido anunciado, o ex-chefe da Casa Civil do governo Lula e réu processo do mensalão, José Dirceu, entrou. Sozinho, como se quisesse que todas as atenções se voltassem para si – nem que fosse por alguns segundos. Rui Falcão citou seu nome ao falar aos quase 3.000 militantes petistas que lotavam o Centro de Convenções do Expo Center Norte, na Zona Norte da cidade. Sem se preocupar em ser discreto, Dirceu subiu ao palco e roubou a cena. Cumprimentou um a um e abraçou todos até chegar ao centro da mesa, onde estavam Lula e Haddad. Curvou-se e apertou a mão do candidato do PT a prefeito. Com a cena, Dirceu estava oficialmente na campanha petista na capital paulista. A permanência na disputa política, no entanto, depende do resultado do julgamento do mensalão.

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O ex-ministro e deputado cassado sentou-se na única cadeira vazia, na ponta da mesa, à direita de Lula e Haddad, entre os prefeitos de Osasco, Emídio de Souza, e São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. Acompanhou dali as quase três horas do ato que reuniu petistas dos mais diversos escalões, com exceção da senadora Marta Suplicy. Ela não esconde a mágoa de ter sido pressionada por Lula a deixar a disputa pela chapa petista, em novembro de 2011, em prol de Fernando Haddad. Mantendo-se distante de todos os eventos da campanha, a senadora era esperada pela direção petista.

Seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy, chegou a anunciar que ela estava a caminho. Às 11h20, uma hora depois de o ato ter começado, Suplicy mandou um SMS para Marta: “Você está sendo fortemente aguardada. Abraços, Eduardo”. A senadora não respondeu e não apareceu no ato pró-Haddad. E também não atendeu ao telefonema do senador no final do evento. Ele deixou, então, um recado na caixa postal. “Você foi citada diversas vezes, inclusive pelo presidente Lula, pelo bom desempenho à frente da Prefeitura de São Paulo. Você foi fortemente aguardada”, insistiu.

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A ausência de Marta fez Haddad improvisar uma mudança de uma última hora em seu discurso de quinze minutos. Apesar de ter se referido à senadora como “a grande prefeita Marta Suplicy’, o ex-ministro alterou o trecho em que falava sobre o que significava ser apoiado pela ex-prefeita de São Paulo. “O que significa ser apoiado por presentes e ausentes que participaram da gestão de Marta Suplicy? Significa ser apoiado por uma equipe que em pouco tempo tirou São Paulo do caos, reergueu nossa cidade e inaugurou uma nova forma de governar”, afirmou. Por que Marta não compareceu? “Pergunta para ela”, respondeu o presidente do diretório municipal do PT em São Paulo, vereador Antônio Donato. “Não sei por que ela não veio, mas ela sempre faz falta”, afirmou Haddad.

Na memória do PT, no entanto, ainda estão as cobranças da senadora. Na semana passada, no dia em que a Câmara Municipal de São Paulo homenageou Lula com o título de cidadão paulistano e a Medalha Anchieta, Marta causou desconforto ao afirmar que “não basta o novo nessa cidade” – uma resposta ao slogan adotado pela campanha de Haddad, “Só se renova quem traz o novo”.

‘Curtiu?’ – O slogan oficial da candidatura petista foi apresentado no evento deste sábado. Criação do marqueteiro João Santana, a frase escolhida é: “O homem novo para um tempo novo. Haddad prefeito”. O logotipo e o jingle (cujo refrão é “Haddad, o homem novo para essa cidade/Haddad, um tempo novo para essa cidade”) também foram lançados. Mas a convenção do partido que marcará o lançamento oficial da campanha será no dia 30. Peças publicitárias foram expostas para mostrar que o mote da campanha será todo centrado no “novo”. Em todas, jovens e alusões às redes sociais, como emotions e hashtags: “Tô com o novo! #prontofalei”, diz um dos cartazes. “Inova, renova, se liga! Curtiu?”, diz um outro.

“Chegou a hora H”, disse a mestre de cerimônias ao chamar Haddad para discursar. A iluminação focou o ex-ministro, que se posicionou no centro do palco ao lado da mulher, Ana Estela, e dos filhos, Carolina e Frederico. O discurso, feito durante a semana ao som de Momento Musical 4, de Rachmaninoff, foi lido pelo teleprompter. João Santana colocou uma equipe para fazer o making off do evento. O material será usado na campanha.

Apesar de ter prometido falar por apenas dez minutos, “cronometrados por Marisa Letícia”, Lula, que se recupera de um tratamento contra um câncer na laringe, falou por quase meia hora. Ele afirmou que o sucesso do PT na eleição depende da capacidade de Haddad de conquistar os votos daqueles que não são de esquerda. “O desafio é encontrar o mote para falar com os 15% ou 20% que ainda teimam em não votar no PT”, disse.

Lula também atacou o principal rival do PT na disputa pela sucessão do prefeito Gilberto Kassab, o ex-governador José Serra (PSDB), a quem se referiu como um “adversário desgastado”. “Foi eleito e não ficou na prefeitura. Usou a cidade como trampolim. Foi candidato a governador, elegeu-se mas achou que era pouco e tentou sair para presidente. Mas tomou uma tunda da Dilma”, provocou.

Em busca de alianças em torno da candidatura de Haddad, o presidente municipal do PT, Antônio Donato, convidou representantes do PSB, do PCdoB e PR. Participaram do ato o vereador socialista Juscelino Gadelha, secretário-geral do PSB paulistano, e os comunistas Wander Geraldo, presidente municipal do PCdoB em São Paulo, e o ex-ministro do Esporte Orlando Silva.

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