Clique e assine com 88% de desconto

Com Bolsonaro, Marcha para Jesus terá presidente pela primeira vez

Público evangélico representa 30% da população do país e é uma das principais bases de seu eleitorado

Por Da Redação - Atualizado em 20 jun 2019, 09h49 - Publicado em 20 jun 2019, 09h20

Ao subir nesta quinta-feira (20), por volta da 15h, no palco montado na Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB), em São Paulo, Jair Bolsonaro (PSL) marcará a primeira aparição de um presidente da República na Marcha para Jesus, principal encontro evangélico do País. O evento, que começou no exterior na década de 1980, foi logo trazido ao Brasil. Ocorre em São Paulo há 27 anos e reúne milhares de pessoas, de diversas denominações.

Bolsonaro subirá ao palco ao lado do deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), pastor da Catedral do Avivamento que se tornou um dos principais articuladores do presidente junto à bancada evangélica no Congresso. Também estará ao lado do líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP). Há previsão de que assista a uma das apresentações gospel previstas para o dia e faça um discurso ao público. São esperadas mais de 100 mil pessoas.

A ideia da participação de Bolsonaro no evento é a de que se trata de uma oportunidade para que ele, como presidente, se conecte com o segmento e reforce o compromisso de campanha com a defesa dos valores cristãos. Algumas lideranças evangélicas na Câmara não estarão presentes desta vez. É o caso de Silas Câmara (PRB-AM), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, e de Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da igreja Vitória em Cristo.

O público evangélico representa uma das mais aguerridas bases de Bolsonaro, que é declaradamente católico, mas garantiu 68% dos votos deste público ao abraçar a retórica pentecostal. Reportagem de VEJA mostrou, em sua edição 2633, que os políticos evangélicos estão com o governo na oposição à suposta doutrinação esquerdista em escolas e universidades. Também desejam, por razões teológicas, a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Esta bancada deseja encampar também temas econômicos aos quais não costuma ser associada e conseguiu, em gestões diretas junto ao presidente, barrar a criação de um imposto que incidiria sobre templos. 

Publicidade

A presença de Bolsonaro no evento é mais um sinal de compromisso do presidente com esse público, que já corresponde a cerca de 30% da população do país, ou 60 milhões de pessoas — a maior população evangélica do mundo. No ano passado, ainda como pré-candidato à Presidência da República, ele foi pela primeira vez à marcha em São Paulo, acompanhado do então senador — e até então fiel aliado — Magno Malta, que é pastor evangélico.

Na ocasião, falou que era uma oportunidade para pregar “valores familiares” e lutar “contra o aborto, contra as drogas e pelo respeito às crianças em sala de aula”. E prometeu que, como presidente eleito, voltaria ao evento. A confirmação veio em março deste ano, quando recebeu no Palácio do Planalto lideranças evangélicas, entre elas a do apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, organizador da Marcha para Jesus.

Afago de Lula

Apesar de ser a primeira vez que um presidente comparece ao evento evangélico, seu público cada vez mais crescente sempre foi cortejado por políticos de diferentes tendências ideológicas. Em 2009, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu, ao lado do casal Estevam e Sônia Hernandes e o então senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo da Igreja Universal, o Dia Nacional da Marcha para Jesus. 

O evento também é termômetro do humor político de seu público. Em 2013, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi vaiada ao ter ser nome citado no carro de som pelo então ministro da secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que a representou na ocasião. A edição de 2015 também registrou protestos contra a petista.

Publicidade