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Coaf monta base no Rio para combater lavagem do crime de perto

Órgão expande estrutura e instala coordenadoria regional na capital fluminense, com foco em dinâmicas locais

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 12h15 | Atualizado em 3 jul 2026, 12h17
Coaf monta base no Rio para combater lavagem do crime de perto Priorizar nos meus resultados Google

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por prevenir e combater a lavagem de dinheiro, terá, pela primeira vez, escritórios permanentes fora de Brasília. Uma das coordenadorias regionais foi inaugurada nesta sexta-feira, 3, no Rio de Janeiro.

O delegado federal Tacio Muzzi, que foi superintendente da Polícia Federal no Rio entre 2020 e 2022, vai coordenar a unidade, que vai funcionar no edifício do Banco Central, no centro da cidade.

A escolha do Rio levou em consideração a complexidade da atuação do crime organizado no estado. “O Rio de Janeiro reúne algumas das dinâmicas criminais mais complexas do país. É um território onde convivem organizações criminosas de diferentes naturezas, estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro, mercados ilícitos altamente diversificados e crescentes mecanismos de infiltração do crime em atividades econômicas formais”, afirmou o ministro da Justiça Wellington César Lima e Silva, que participou da inauguração nesta sexta.

Com a nova estrutura, o governo federal busca ampliar a presença em regiões estratégicas e, ao mesmo tempo, desenvolver um trabalho mais preciso, com base nas especificidades regionais. “É muito melhor para o Coaf conhecer as realidades locais para fazer um trabalho muito mais completo e útil às autoridades”, disse o delegado federal Ricardo Saadi, diretor do órgão.

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Também foi aberto um escritório em São Paulo, que concentra o mercado financeiro, e será inaugurada uma unidade em Foz do Iguaçu, considerada importante por estar na região de fronteira.

Segundo o governo, a coordenadoria do Rio contará com tecnologia avançada para ampliar a capacidade de rastreamento de movimentações financeiras e de produção de relatórios de inteligência. Os dados ajudam a subsidiar investigações de lavagem de dinheiro.

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Nesta semana, a Polícia Federal e o Coaf aderiram a um plano conjunto de prevenção e combate à lavagem. A ideia é tornar a cooperação entre os dois órgãos mais ágil e eficiente.

O Coaf produz relatórios por requisição de órgãos de investigação ou gera alertas espontâneos a partir da notificação de bancos e instituições financeiras sobre movimentações suspeitas. O órgão recebe cerca de 7,5 milhões de comunicações por ano – em média 30 mil por dia útil. Os dados são fundamentais para ajudar a reconstruir os caminhos do dinheiro do crime. A descapitalização das organizações criminosas é considerada a estratégica mais eficaz de combate ao crime e está no topo de prioridades do Ministério da Justiça. “Quanto melhor seguirmos o dinheiro, mais qualificadas se tornam as operações policiais”, disse Wellington Lima e Silva.

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No último ano, a chefia do órgão iniciou uma série de mudanças para modernizar o conselho. Um novo sistema com inteligência artificial está sendo desenvolvido para melhorar a análise de dados, acompanhado de um aumento de pessoal, de 100 para 180 servidores. Adaptações nos formulários de compartilhamento de informações também estão em estudo. “A gente vai sair de um sistema que tem muito a melhorar para possivelmente um dos mais avançados do mundo”, garantiu Saadi. “Nós queremos retirar o oxigênio do crime organizado.”

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