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Clinton estranha presença de manifestantes na abertura de evento no Rio

Ex-presidente dos EUA afirma, na abertura do Clinton Global Initiative, que Brasil e México obtiveram avanços contra a pobreza

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro 9 dez 2013, 11h25

Na abertura do evento que levou ao Rio de Janeiro para debater soluções para as cidades, com foco principal na América Latina, o ex-presidente americano Bill Clinton expôs sua dificuldade de compreender as repetidas manifestações de rua no país. Clinton afirmou, na abertura da Clinton Global Initiative (CGI) que “as coisas não parecem tão ruins” no Brasil. Enquanto discursava no Copacabana Palace, uma dezena de manifestantes com cartazes protestava em frente ao hotel, tendo como alvos principais o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral, ambos do PMDB e presentes na cerimônia de abertura do evento.

“Por que temos manifestações se as coisas parecem estar melhorando? Não parecem tão ruins assim. Pensem na diferença da reação no Brasil e na Síria, por exemplo. Na Síria, essa guerra civil horrível começou com pessoas se manifestando nas ruas, pedindo mais liberdade, maior oportunidade econômica. O governo decidiu reagir atirando nas pessoas e prendendo”, disse Clinton na palestra de abertura.

Bill Clinton reúne líderes no Rio – e atrai manifestantes

O grupo de manifestantes estava isolado por grades para não atrapalhar o acesso dos participantes ao evento. No domingo, também houve protesto e cinco pessoas foram detidas.

A presidente Dilma Rousseff, na cerimônia, defendeu esforços de integração regional na América Latina. “Um verdadeiro processo de integração regional supõe respeito à soberania de Estados que dele participem”, disse a presidente.

A conferência reúne lideranças políticas e empresariais no Rio de Janeiro nesta segunda-feira e na terça-feira. Criada em 2005, a Clinton Global Initiative (CGI) já proporcionou cerca de 2.500 compromissos de soluções para grandes problemas internacionais, desde a desigualdade social até as mudanças climáticas. A edição carioca é a primeira em solo sul-americano.

Na palestra de abertura “Desenhando oportunidades para o crescimento”, apesar de reconhecer que ainda são necessários mais esforços contra as desigualdades e o desmatamento, Clinton disse que México e Brasil tiveram “sucesso significativo” na redução das desigualdades. “México e Brasil tiveram sucesso significativo na redução das desigualdades. Aqui foi o programa Bolsa Família, fundamentado no Bolsa Escola, que permitiram que mais alunos de baixa renda pudessem participar do sistema educacional”, disse Clinton.

Espionagem – O ex-presidente dos EUA criticou, em entrevista publicada nesta segunda-feira no jornal O Globo, o uso de informações econômicas sigilosas “sob o pretexto de segurança”. “Isso só deveria ocorrer quando há um acordo de transparência, que é outra coisa. (…) Precisamos ter uma conversa clara, séria e aberta sobre isso, explicando por que a Big Data pode evitar um ataque terrorista. Eu tenho informação concreta de que salvamos vidas rastreando padrões de conversas por telefone e por e-mail. Muita gente em muitos países deseja que isso ocorra”, disse.

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