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Ciro e Marina se encontram para falar sobre oposição a Bolsonaro

Com capitais políticos distintos após a eleição, presidenciáveis derrotados no primeiro turno citam defesa das instituições e 'interesses nacionais'

Candidatos à Presidência da República derrotados no primeiro turno, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) se encontraram hoje na sede da Rede Sustentabilidade, em Brasília, e conversaram sobre uma atuação conjunta na oposição ao governo do presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Por meio de sua conta no Twitter, Marina afirmou que ela e o pedetista falaram de “ideias sobre o desafio de uma oposição democrática, que seja comprometida com o desenvolvimento sustentável, a defesa das instituições e do interesse nacional”.

Também na rede social, Ciro adotou o mesmo tom e também citou como assunto do encontro a “defesa da institucionalidade democrática, dos interesses nacionais e da pauta das populações mais vulneráveis”.

Apesar dos discursos semelhantes, Marina Silva e Ciro Gomes terminaram a eleição com seus capitais políticos em patamares distintos. A líder da Rede recebeu apenas 1 milhão de votos, o equivalente a 1% dos votos válidos, saiu menor politicamente do que entrou na campanha e ainda viu seu partido não atingir o número necessário de votos para escapar da cláusula de barreira.

Já o pedetista teve 13,3 milhões de votos (12,4%) e busca se viabilizar como alternativa ao PT entre os anti-bolsonaristas, construindo um polo oposicionista que exclua os petistas.

No segundo turno, Marina e Ciro também mantiveram posturas diferentes. Enquanto a ex-senadora declarou “voto crítico” em Fernando Haddad (PT) contra Bolsonaro, o ex-ministro, que voltou de uma viagem da Europa apenas dois dias antes da votação, não se manifestou em apoio ao petista e declarou, no dia do segundo turno, que também seria oposição a Haddad caso ele vencesse. “Eu não quero é fazer campanha com o PT, nunca mais”, declarou.

Em um almoço na sede do PDT em Brasília nesta quarta-feira (7), o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que “temos que manter nossa posição e continuar a trilhar o caminho de Ciro até 2022”. Ele declarou que o partido não pode se afastar “nem um segundo das decisões que serão tomadas”.

No mesmo almoço, Ciro Gomes se disse um “soldado” do PDT e, embora já tenha admitido que não concorreria mais à Presidência, se colocou “à disposição do partido para o futuro”.

“Eu sou soldado do partido. E desta forma temos a obrigação de ficar vigilante em relação à está governo que se inicia em janeiro. Tem muita gente ali que eu conheço há anos, e sei que o povo passa longe da prioridade deles. E afirmo que estou à disposição do partido para o futuro”, anunciou.