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Ciro diz que torce por Lula, mas não vê conspiração do Judiciário

Ex-ministro, que não assinou manifesto de apoio ao petista, pede, porém, que TRF4 dê ‘evidências incontestáveis’ da culpa ou da inocência do ex-presidente

Por Da Redação - Atualizado em 22 jan 2018, 12h11 - Publicado em 21 jan 2018, 19h22

O ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência da República na eleição deste ano, disse neste domingo, 21, no Facebook que torce para Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  ser inocentado no julgamento de seu recurso pelo Tribunal Regional Federal (TRF4) na quarta-feira, 24, mas disse que não acredita em conspiração do Judiciário para tirar o petista da disputa eleitoral, como alegam o ex-presidente e seus apoiadores.

Ciro foi o único pré-candidato identificado com a esquerda que não assinou um manifesto proposto pelo PT que defende que “eleição sem Lula é fraude”. Manuela D´Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), que também são pré-candidatos, assinaram o documento. Ciro foi convidado a assinar, mas recusou.

Lula recorre contra a condenação, pelo juiz Sergio Moro, a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ser o proprietário oculto de um tríplex no Guarujá, que teria sido dado a ele pela OAS em troca de favores na Petrobras. O petista nega e acusa Moro de ser parcial e ter conduzido o processo contra ele como uma “inquisição”.

“Torço para que seu recurso seja reconhecido pelo tribunal regional, órgão de segunda instância da Justiça Federal, e ele [Lula]  seja declarado inocente”, afirmou. “O Judiciário brasileiro, assim como os outros poderes de nossa frágil República, tem graves defeitos – nunca me abstive de criticá-los -, mas imaginá-lo parte orgânica de uma conspiração política ofende a inteligência média do país e, pior, a consequência inevitável desta constatação teria desdobramentos tão graves que a um democrata e republicano só restaria a insurgência revolucionária. Não creio, definitivamente nisto.”

Apesar disso, Ciro criticou o Judiciário. “É definitivamente constrangedor e inexplicável que nenhum quadro relevante do PSDB esteja preso apesar de fartas e robustas evidências de seu orgânico e ancestral envolvimento em corrupção”, afirmou, para emendar que, no entanto, “não é irrelevante que estejam presos quadros centrais do PMDB como Eduardo Cunha, Gedel Vieira Lima ou Henrique Alves”.

“O que quero dizer nesta hora crítica é que, apesar de seus graves problemas, a Justiça brasileira ainda deve merecer o respeito institucional da nação. O oposto é a baderna, a anarquia e, evidentemente, a violência”, afirmou.

Segundo ele, o TRF4 deve compreender “a transcendência de sua decisão”. “Que, independentemente de pressões legítimas ou espúrias, afirme a Justiça! Que tenha a força moral de afirmar a inocência de Lula no processo em questão, se, como eu, não vislumbrar clara a sua culpa. Que dê evidências incontestáveis de sua culpa, caso assim entenda, de maneira que a qualquer do povo não reste dúvidas e, assim, possa a nação afirmar como o injustiçado alemão: há juízes em Berlim. E, apesar de tudo, também no nosso sofrido Brasil.”

A frase “há juízes em Berlim” é retirada do conto “O Moleiro de Sans-Souci”, do escritor François Andriex (1759-1833). O episódio teria ocorrido 18, quando o imperador alemão Frederico II, o Grande, tentou comprar um moinho que atrapalhava os planos de expansão do palácio. O moleiro (dono de moinho) rejeitou a proposta e, ao ser confrontado pelo monarca, que disse que poderia simplesmente tomar a propriedade, respondeu: “Isso seria verdade, se não houvesse juízes em Berlim!”. A frase virou uma referência quando se quer dizer que os cidadãos, mesmo os menos poderosos, podem contar com a Justiça.

 

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